Pecuária leiteira paraguaia: melhora rentabilidade e produção, mas desafio está na qualidade e exportação
A pecuária leiteira paraguaia atravessa um cenário favorável neste primeiro semestre de 2026, impulsionada por boas condições climáticas, sólida disponibilidade de forragens e grãos, estabilidade no preço recebido pelo produtor e crescente eficiência produtiva. Entretanto, desde o setor alertam que os próximos passos para consolidar o crescimento passam por melhorar a qualidade do leite e ampliar os mercados de exportação.
Hugo Pistilli, vice-presidente de Aprole e diretor de Seleção Genética, destacou a Valor Agro que o ano vem mostrando indicadores positivos tanto para a produção primária quanto para a indústria.
"Vem bastante bem. Choveu bem também e há muita matéria-prima, muito forragem e muito grão para o que vem do ano", afirmou.
O dirigente indicou que, embora 2026 não alcance os níveis excepcionais do ano passado, o desempenho do setor continua sendo favorável. Neste contexto, destacou o crescimento das exportações de produtos lácteos e o bom comportamento da produção nacional.
Em matéria de preços, Pistilli explicou que o valor que recebe o produtor leiteiro se mantém estável, oferecendo previsibilidade à atividade.
"O produtor hoje se mantém estável em 3.000 guaranis por litro que retira a indústria. Realmente está estável e continua se pagando por volume, com ajustes por percentual de sólidos que realizam diferentes cooperativas", comentou.
O dirigente destacou que cada vez mais indústrias começam a reconhecer economicamente os níveis de proteína e gordura presentes no leite, uma tendência que considera chave para o futuro do negócio.
"Está se chegando à qualidade de leite ao pagar melhor pelos sólidos, proteína e gordura, que é algo que temos que ir educando e em pouco tempo ter bons percentuais, porque também o mercado exige um leite de melhor qualidade", sustentou.
Pistilli assegurou que o Paraguai logrou avanços significativos em eficiência produtiva, apoiado em genética, nutrição e bem-estar animal.
"Os produtores alcançaram volumes que estão acima da média americana. Hoje temos estabelecimentos acima de 40 litros por vaca por dia e o Paraguai é uma referência na região naquilo que é conforto animal para lograr maior produção", sinalizou.
Segundo explicou, a tendência atual não passa por aumentar a quantidade de vacas, mas por incrementar a produtividade individual por meio de genética superior e sistemas de produção mais eficientes.
"Hoje a tendência é ter maiores médias com menos vacas. Com nutrição de precisão, avanço genético e conforto animal estão se logrando resultados muito importantes", indicou.
Inclusive mencionou estabelecimentos que alcançam entre 44 e 50 litros de média por vaca ao dia durante o inverno, níveis que qualificou como destacados para a região.
Apesar do bom momento produtivo, Pistilli considerou que os principais desafios do setor leiteiro paraguaio estão relacionados à qualidade e à exportação. O executivo enfatizou a importância de consolidar padrões de qualidade superiores que permitam ao Paraguai posicionar seus produtos no mercado internacional com maior competitividade.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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