Paulo Schwab sobre o momento do feedlot: "O crescimento será por quilo de carcaça, não tanto por quantidade de animais"
A rentabilidade do confinamento no Paraguai este ano passará por produzir mais carne com a mesma estrutura e não necessariamente por aumentar a quantidade de animais confinados. Essa é a visão de Paulo Schwab, responsável pela Animal Solution, que afirmou que o negócio atravessa um processo de profissionalização no qual o planejamento e a gestão serão determinantes para sustentar margens positivas.
O especialista apontou que, apesar de um mercado firme para o gado gordo, o contexto obriga os produtores a analisarem com maior precisão cada decisão de investimento. A relação entre a reposição, o custo da alimentação e uma taxa de câmbio que reduz competitividade fazem com que a administração do negócio tenha um protagonismo maior do que em campanhas anteriores.
"O cenário mais forte hoje são a gestão e os números. Já não é suficiente confiar em um bom ganho diário ou em um mercado firme; é necessário planejar cada passo para evitar surpresas", afirmou.
Schwab explicou que o produtor deve avaliar cuidadosamente a compra dos insumos, especialmente os alimentos, considerando as diferenças de custos entre adquirir milho diretamente ao produtor, comprá-lo processado ou elaborar silagens próprias. A isso se soma o aumento de alguns suplementos minerais, que também impacta a estrutura de custos do curral.
Nesse sentido, sustentou que o negócio continua oferecendo rentabilidade, embora cada vez mais condicionada a uma correta organização. "Há boas margens, mas para quem planifica a compra de insumos e gerencia corretamente o sistema", ressaltou.
Para o responsável pela Animal Solution, a principal oportunidade do confinamento em 2026 estará em aumentar a produção de quilos de carcaça por animal. Explicou que uma maior eficiência permite aproveitar melhor uma infraestrutura que já representa um custo fixo importante para os estabelecimentos.
"A solução é produzir mais carne com o mesmo animal. Esses quilos adicionais de carcaça terminam pagando o investimento em alimentação e melhoram a rentabilidade do sistema", sustentou.
Schwab indicou que essa estratégia permite diluir os custos das instalações e obter um melhor retorno econômico sem necessidade de ampliar a capacidade instalada dos currais.
De cara ao segundo semestre, considerou que o Paraguai dificilmente registrará um crescimento significativo na quantidade de animais confinados. A seu ver, a disponibilidade de reposição começa a marcar um limite, enquanto o setor pecuário concentra esforços em incrementar a produção de bezerros.
"Não acredito que vamos crescer muito em quantidade de animais. O que sim veremos é uma reestruturação do confinamento e uma atividade muito mais profissional, focada em produzir uma melhor carcaça e alcançar um melhor resultado econômico", concluiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.