Paraguaia soma seu talento à premiada curta FrutaFizz no Brasil
Cineasta Anna Paula Servián trabalhou na direção de arte do filme que conquistou prêmios em festivais brasileiros e internacionais
A cineasta paraguaia Anna Paula Servián encontrou na direção de arte uma maneira de levar a memória à sétima arte.
Nascida em Ciudad del Este, filha de pai paraguaio e mãe brasileira, formou-se no Brasil e trabalhou na direção de arte de FrutaFizz, curta-metragem dirigida por Kauan Okuma Bueno.
O filme foi uma das 12 selecionadas entre mais de 1.090 propostas para o 53º Festival de Cine de Gramado, onde recebeu o prêmio de Melhor Curta Brasileira.
Em fevereiro de 2026 teve sua estreia internacional em Clermont-Ferrand, França, como único representante brasileiro da competição internacional.
A curta-metragem, com 20 minutos, acompanha Mauro durante uma pausa em uma viagem de trabalho.
Ao passar pela cidade de sua infância, o protagonista fica cercado por memórias que parecem surgir em cada esquina.
A arte da memória. Para Anna Paula Servián, construir visualmente esse universo significou enfrentar um lugar que ela não conhecia. A história se passa em São Bento, uma cidade do interior de São Paulo, muito diferente da metrópolis onde ela vivia.
Para encontrar os códigos desse espaço, ela decidiu partir daquilo que sim conhecia: Hernandarias e a casa de seus avós paternos, além de Maringá e a casa de sua avó materna.
"O filme trabalha profundamente com a memória e a nostalgia"
A partir daí, Servián compreendeu São Bento como uma dimensão afetiva, uma cidade cuja poesia já estava presente em seus habitantes, em seus espaços e em suas formas de viver. Seu próprio olhar paraguaio também fez parte dessa busca.
Ela recorda, por exemplo, os ônibus coletivos de Ciudad del Este, carregados de dedicatórias, decorações, frases e ironias. São detalhes que, para ela, permitem compreender uma cidade além de sua aparência.
"A direção de arte opera como um gesto de escuta"
O cinema, segundo ela, é uma arte da memória e essa direção de arte permite materializar no espaço dimensões invisíveis como o tempo, o afeto, a pertença e a perda.
História feita por amor. FrutaFizz nasceu entre colegas de universidade e poderia ter ficado reduzida a um trabalho acadêmico.
Porém, a equipe decidiu dar-lhe o tempo que a história precisava.
Tiveram sete meses de pré-produção, filmaram em março de 2025 e trabalharam na pós-produção até finais de julho.
"Pela primeira vez realizávamos uma curta-metragem não para obter uma nota e passar de semestre, mas pura e exclusivamente por amor à história que estávamos construindo"
Esse percurso acabou levando o filme a festivais do Brasil, França e Inglaterra. Mas, além dos reconhecimentos, para Servián permanece o valor de uma experiência atravessada pela migração, pelo aprendizado e pelo afeto pelos lugares que constroem a memória.
"Pelo menos para mim, o cinema habita em todas as partes", afirma, ao tempo em que acrescenta que habita em uma despedida em um aeroporto, em uma família em um parque, em amigos dentro de um bar ou em pessoas vivendo seus dias. "Todos somos personagens".
Prêmios e percurso internacional. Além do reconhecimento de Melhor Curta Brasileira no 53º Festival de Cine de Gramado, FrutaFizz recebeu o prêmio de Melhor Roteiro no Festival Santa Cruz de Cinema; o voto popular de Melhor Curta-metragem no Festival Curta Campo Grande; o Prêmio Especial do Júri em Cine Minhocão, e o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Cinema de Itabaiana.
De acordo com o registro fornecido pela equipe, o filme integrou também as programações do Festival Kinoarte de Cinema, Goiânia Mostra Curtas, Kinoforum-Festival Internacional de Curtas de São Paulo, Levante Festival de Curtas-Metragens de Pelotas, Festival de Cinema de Arapiraca, Mostra de Cinema das Missões, entre outros.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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