Paraguai requer um plano integral de gestão de riscos ante o fenômeno de El Niño
Preparação insuficiente ante fenômeno climático
Paraguai enfrenta desafios significativos para fazer frente aos efeitos do fenômeno El Niño, cujas manifestações já geraram impactos em diferentes regiões do país. Os eventos meteorológicos registrados na primeira semana de outubro demonstraram a vulnerabilidade nacional ante este tipo de fenômenos, com tempestades intensas, granizos e chuvas que afetaram tanto produtores como habitações e veículos em Assunção e sua área metropolitana.
De acordo com um relatório do Banco Mundial, Paraguai se encontra entre os três países da região que enfrentarão os maiores impactos econômicos por El Niño. O organismo internacional sinalizou que o fenômeno coloca riscos adicionais, pois as secas em algumas áreas e as inundações em outras poderiam afetar a produção agrícola e gerar pressões de alta nos preços.
Manifestações esperadas e medidas preventivas
Autoridades da Secretaria de Emergência Nacional explicaram que no Paraguai, El Niño se manifesta tipicamente com chuvas intensas que podem ocasionar inundações em pontos críticos de Assunção e cidades do Departamento Central. Essas precipitações geram ainda o aumento de vazão em arroios que desembocam no rio Paraguai, com potencial para inundações em zonas ribeirinhas.
Ante isso, enfatizou-se a importância de executar trabalhos de limpeza de leitos hídricos, onde frequentemente se acumulam resíduos. Foram anunciadas também reuniões com prefeitos do Departamento Central para promover trabalhos preventivos coordenados. Porém, reconhece-se que essas ações educativas deveriam ser tarefas cotidianas das autoridades municipais, que são as mais próximas às comunidades.
Impacto no sul do país
Na zona Sul já se registram efeitos significativos do fenômeno. Foram reportadas famílias evacuadas e cidades inundadas, enquanto pequenos produtores expressam preocupação com a alimentação e abrigo de seus animais. O rio Paraná continua seu crescimento, deixando mais de 3.000 desabrigados em Ayolas e Misiones.
Projeções e monitoramento
A Direção Geral de Gestão e Redução de Riscos de Desastres realiza acompanhamento constante do fenômeno. Estimam uma probabilidade superior a 90% de que seja um evento sumamente forte para finais de 2026 e inícios de 2027, indicando um comportamento distinto ao que historicamente se tem registrado no Paraguai.
Deficiências em sistemas de alerta
Uma limitação importante é que Paraguai não conta com um sistema de alerta temprana efetivo para a população ante fenômenos meteorológicos severos. Esta carência se deve à falta de previsão das autoridades, como ficou evidenciado no recente temporal acompanhado de granizada inusitada.
Quanto aos radares meteorológicos, um instalado no terreno da Universidade Nacional de Assunção se encontra em manutenção, enquanto outro previsto para a zona sul do país, que permitiria monitorar tempestades se deslocando desde a Argentina, ficou sem financiamento.
Chamado à ação coordenada
Este é o momento em que o governo central e os municípios devem demonstrar os planos que têm estado promovendo e fornecer assistência efetiva às comunidades necessitadas ante os riscos climáticos previstos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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