Paraguai avança em avaliação de energia nuclear para diversificar sua matriz energética
Paraguai iniciou formalmente o caminho rumo à possível implementação de tecnologia nuclear civil. A assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU) sobre Cooperação Estratégica Civil Nuclear com Estados Unidos marca o ponto de partida para diversificar a matriz energética nacional e antecipar-se à demanda elétrica que os especialistas projetam a partir de 2030.
Desde a Autoridade Reguladora Radiológica e Nuclear (ARRN), seu titular, o doutor Jorge Molina, esclareceu que este é o primeiro trecho de um rigoroso processo que abrange a criação de protocolos de segurança, diversas regulações nucleares e a ratificação de um tratado vinculante por parte dos congressos de ambos os países.
O titular da ARRN indicou que a meta é que Paraguai possa acessar reatores modulares para ampliar sua capacidade de geração elétrica com energia nuclear e diversificar a matriz energética diante dos desafios da demanda elétrica projetada a partir de 2030.
Aplicações múltiplas da energia nuclear
Molina destacou que os reatores nucleares produzem energia elétrica e também energia térmica que pode ser utilizada em processos industriais, dessalinização, produção de hidrogênio verde e qualquer aplicação que necessite calor.
O funcionário mencionou que, embora Paraguai conte atualmente com um excedente de energia proveniente das hidrelétricas Itaipu e Yacyretá, as projeções oficiais advertem que essa margem entrará em crise rumo ao final da década.
Com o ritmo de crescimento atual, a escassez energética poderia se apresentar até mesmo antes de 2030. Devemos prever essa contingência diversificando nossas fontes de geração com energia solar, gás e tecnologia nuclear. Necessitaremos de todas as alternativas disponíveis.
Molina acrescentou que desde o governo de Santiago Peña estão começando a avaliar alternativas para evitar chegar a uma crise energética.
Acordo 123 e marco regulatório
Para concretizar a compra e operação de reatores de origem norte-americana, Paraguai deverá cumprir primeiramente as condições do denominado Acordo 123, um convênio bilateral que regulamenta a transferência de tecnologia sensível. Este acordo inclui um marco legal focado na não proliferação de armamento nuclear, bem como na implementação de medidas de segurança e salvaguardas.
O titular da ARRN explicou que o uso de reatores nucleares que se propõe para Paraguai é exclusivamente para fins civis e pacíficos, em cumprimento com os padrões internacionais de segurança e não proliferação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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