Os rastros de Mario Benedetti
Mario Orlando Hardy Hamlet Brenno Benedetti Farrugia (1920-2009) nasceu em 14 de setembro de 1920 em Paso de los Toros, Tacuarembó, Uruguai, e foi um dos principais referentes da Geração de 45.
Este olhar recupera um Mario menos conhecido e incorpora testemunhos da cantautora uruguaia Diane Denoir, entrevistada especialmente para esta ocasião. Além disso, consultou-se Cien veces Benedetti, publicação da Fundação realizada no marco do centenário do nascimento do criador de La Tregua, cujo exemplar foi facilitado pela Embaixada do Uruguai no Paraguai.
"Eu penso que o aspecto que menos se conhece de Mario e que é muito importante é o Mario Benedetti crítico literário", explicou Diana Reches, mais conhecida por seu nome artístico, Diane Denoir, figura destacada da música uruguaia, amiga de Benedetti e integrante do Conselho da Fundação Mario Benedetti.
"Foi crítico também cultural de cinema e teatro, mas acredito que a crítica literária é um aspecto muito importante de Mario e que tem vários livros que revelam o que era a cultura de Mario e a profundidade de seus conhecimentos. Seria bom que se lesse um pouco mais, porque às vezes o público conhece o Benedetti poeta ou eventualmente uma parte de seus romances ou algo de seus contos. Mas toda essa trajetória de Mario como crítico não se conhece e realmente é muito valiosa, muito interessante", destacou.
Neste sentido, é oportuno mencionar alguns de seus livros essenciais para descobrir e estudar sua faceta como crítico e ensaísta literário: Literatura uruguaia do século XX, Letras do continente mestiço e 45 anos de ensaios críticos (1948-1993), entre outros.
Benedetti foi um grande escritor de cartas. Organizado e meticuloso. As suas as escrevia com carbônico para conservar uma cópia. Graças a esse costume, hoje conserva-se boa parte de sua correspondência. As dos demais, guardava cuidadosamente e anotava à margem, ou ao pé, a data em que haviam sido respondidas.
A esse respeito, Diane recordou o intercâmbio epistolar que mantiveram e disse que as cartas terminavam com: "Cuida-te, porta-te bem, arma-te de paciência e cautela, que essas parecem ser as leis do exílio. Abraços, beijos e saudades, Mario".
Referiu também que não deixavam de se inteirar de todos aqueles temas que lhes interessavam. "Às vezes cada carta levava entre dois e três meses para nos chegar. Além disso, Mario incluía algum conto novo ou poema que acabava de escrever. Nunca faltava o humor até para me repreender: Querida Flaca: Esta é minha terceira missiva europeia, ou seja, o placar até agora é três a zero", acrescentou.
Igualmente, mencionou que Mario expressou em uma carta que "não se deve deixar envelhecer pela nostalgia e pelo ódio. Isso é o que quer o inimigo".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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