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Paraguai

Olhando de lado para o colchão nos tempos modernos

A crise de confiança no setor financeiro traz à tona velhos hábitos de poupança e revela fraturas políticas no Paraguai

22/10/2026 13:45 4 min lectura 43 visualizações

O recente alvoroço causado por certos fatos que afetam um banco em particular não resultou em nada bom para a confiança no setor financeiro.

Informações, mentiras e desmentidos, além da costumeira guerra de manchetes de jornais, fizeram com que vários poupadores franzi­ssem a testa e começassem a pensar nos seus economias.

É que, embora uma boa parte da população não se lembre, pelo menos ouviu falar daquele tsunami financeiro com consequências funestas para toda a banca paraguaia em meados e finais dos anos 90.

Vários começaram a se questionar. Retiro meu dinheiro agora ou não retiro?, Levo aqui, levo ali, ou levo para lá talvez?

Perguntas que tiravam o sono de uma população metida no irreversível processo de bancarização com suas vantagens e temores.

É assim que entra em cena o velho e querido colchão, que em décadas passadas resultava ser a mais confiável caixa forte.

Ali, acomodando o sonho de uma velhice sem temores e uma vida tranquila, os bilhetinhos quentinhos e esticadinhos, aguardavam o momento preciso de serem usados.

Claro que para a família era um segredo de todos esse autóctone cofre de poupança. Mesmo assim não era fácil mexer em algo de dinheiro. Fazê-lo equivalia a se enfrentar com algo pior que uma corte marcial.

Com todos esses antecedentes o estoico colchão poderia ser a salvação para se livrar da sensação de pesadelo financeiro que rondava o país nestes tempos de QRs e lembranças de "me passe o saldo".

Felizmente já podemos deixar de nos preocupar. O próprio presidente da República o disse. O Banco Central tem tudo controlado. Como a inflação zero em agosto.

Passando para outro âmbito da notícia, preste atenção apresentador de telejornal, os colorados não esperavam um colchão macio em sua recente queda parcial.

Ainda fica na retina e ouvidos de todos eles, como no 4 de outubro passado Camilo Pérez, candidato colorado, celebrava a vitória às 17h20, com lágrimas nos olhos (Em que outra parte do corpo há lágrimas?).

Porém, menos de três horas depois a realidade fez com que seu sonho de intendente da capital asuncena terminasse na cama de pregos da derrota.

Mais de um, que confiou cegamente nas pesquisas e na vantagem de 20%, teve que acordar recalculando e buscando explicações para o choque eleitoral.

E houve mais ainda. O impacto em Assunção e o tremendo terremoto no Leste, colocou em nível turbo a motosserra e com furiosa potência cortou a chapa já designada a dedo no mítico quincho.

Os mecanismos do sonho compartilhado de se perpetuar no poder com base na unidade granítica não resistiram ao pe$o de outros dólares.

Quiseram fazer a caminha para o verdadeiro dono da caneta e da carteira? Talvez você tenha a resposta, fulano/a troll pubertário/a.

Mas os anos à frente e atrás do poder fazem com que um não seja adormecido assim nomás pelos moçoilos da política.

Em um giro de cintura, o que mais manda decidiu que de longe nomás vai olhar (digamos), a próxima antropofagia interna do partido, com miras ao 2028.

A decisão fez com que vários acomodados que dormiam em cama de rosas, agora tenham que se acomodar em leitos feitos com urtiga.

Para as novas gerações e citadinos: A urtiga (Urtica spathulata ou pequena urtiga) é uma erva medicinal da família das urticáceas comum no Paraguai, caracterizada por suas folhas com pequenos pelos urticantes que produzem coceira ao contato.

Enquanto lá no topo do poder continuam se arrancando os olhos, no fundo do dia a dia há uma Criança que não dorme.

E tem feito com que várias famílias tenham dormido forçosamente em colchões de água que chegou a suas casas. Com a água até o pescoço, centenas de cidadãos olham para o céu cada dia, acompanhando a previsão, rezando, pedindo o milagre de que um dia deixe de chover azar sobre este b...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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