Ofensiva de Trump contra o "turismo de parto" coloca sob escrutínio grávidas na fronteira
As medidas fazem parte de uma nova tentativa de Trump de restringir a cidadania por nascimento, depois que a Corte Suprema freou uma ordem anterior que buscava limitar esse direito, protegido pela 14ª Emenda da Constituição estadunidense.
"São duas ordens executivas que o presidente Trump emitiu em 6 de agosto passado para combater o 'turismo de parto'", explicou o antropólogo Víctor Clark Alfaro, diretor do Centro Binacional de Direitos Humanos em Tijuana.
"Mas o antecedente dessas ordens executivas que acabam de emitir é a decisão que a Suprema Corte de Justiça deu para frear o que Trump pretendia: eliminar a cidadania por nascimento", acrescentou.
Segundo Clark Alfaro, as novas disposições se traduzem em maiores controles nos portos de entrada e consulados estadunidenses sobre mulheres estrangeiras grávidas que pretendam ingressar legalmente no país.
"Essas são as que vão ser minuciosamente interrogadas", afirmou o especialista.
O impacto pode ser especialmente sensível em Tijuana, uma cidade estreitamente vinculada ao vizinho estado da Califórnia e onde numerosas famílias têm integrantes nascidos em ambos os lados da fronteira.
"Muitos fronterizos, porque é parte do fenômeno cultural e social da fronteira, muitos fronterizos com vistos de turista, as esposas cruzavam para que o filho nascesse ou a filha nascesse lá e depois retornassem", explicou Clark Alfaro.
O antropólogo advertiu que as medidas poderiam atingir pais cujos filhos nasceram anteriormente nos Estados Unidos após ingressarem com vistos de turista.
"Desde há vários dias estão começando a cancelar vistos, vistos B1/B2 a pais de família cujos filhos nasceram nos Estados Unidos", sustentou.
Os Estados Unidos, porém, já restringiam o chamado "turismo de parto" desde o primeiro mandato de Trump. Em janeiro de 2020, o Departamento de Estado modificou suas normas para permitir que os consulados neguem vistos de visitante quando considerem que o propósito principal da viagem é dar à luz para obter a cidadania estadunidense do bebê.
As regras estadunidenses contemplam, em contrapartida, o ingresso com visto de visitante para receber tratamento médico, de modo que a gravidez por si mesma não constitui uma proibição para entrar no país.
O presidente do Baja Health Cluster em Tijuana, Jesús Fabián R. Walters Arballo, expressou sua preocupação com possíveis consequências sanitárias do endurecimento dos controles fronterizos.
"O que não queremos é que exista um problema de saúde ou que se coloquem em risco por esse motivo", afirmou.
O médico apontou que uma mulher com uma gravidez muito avançada poderia despertar maiores suspeitas sobre o objetivo de sua viagem.
"Se vai uma paciente com nove meses de gravidez cruzar para os Estados Unidos, é muito claro que vai ir obter esse nascimento. Provavelmente haja uma restrição por parte da CBP", considerou.
A ofensiva de Washington inclui além disso ações contra as redes que facilitam essas viagens. O secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, anunciou a criação de um grupo de trabalho para investigar o chamado turismo de nascimento e assegurou que em seu primeiro mês as...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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