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Cultura

O tributo ao César: equilíbrio entre deveres cívicos e espirituais

18/10/2026 08:00 4 min lectura 48 visualizações

O contexto histórico e a armadilha dialética

Jesus resolve magistralmente a armadilha dialética que lhe tenderam seus inimigos sobre o tributo ao César com a célebre sentença "Dai ao César o que é do César e a Deus o que é de Deus". Com este dito, o Senhor não apenas desmantelou a estratégia que lhe plantejavam, mas também lançou as bases para uma reta distinção entre o poder temporal e o espiritual e para uma atuação cristã coerente em meio ao mundo.

Nos tempos de Jesus, a Judeia vivia uma situação política e religiosa complexa. Por um lado, toda a região estava sob o domínio do Império Romano; como província de importância estratégica, a Judeia contava com presença militar permanente a cargo de um procurador, encarregado de garantir o submetimento do povo e de cobrar os impostos por meio de cobradores locais: os publicanos. Por outro lado, os herodianos preferiam a mediação de um príncipe local que cobrasse os impostos e desse parte do dinheiro a Roma. Por sua parte, as autoridades religiosas deviam velar pelo sustento do templo de Jerusalém, o culto e as instituições.

Um dilema para a consciência piedosa

Neste cruzamento de interesses, o chamado tributo ao César resultava uma matéria de controvérsia inevitável: o que era o justo naquela difícil situação para qualquer judeu piedoso? O denário era a paga de um jornaleiro por um dia de trabalho e um par de denários foi o que deixou o bom samaritano na parábola para gastos da pousada. Um denário equivalia a dez asses, e daí seu nome. Não era uma soma muito alta, mas tampouco desprezível, e sobretudo, estava destinada aos interesses dos romanos. O dilema parecia portanto irresolvível: se Jesus animava a pagar o tributo, aparecia ante a opinião pública como amigo dos gentios e seu prestígio entre o povo poderia diminuir. Se por outro lado animava a não pagar o tributo, era possível acusá-lo de incitar o povo contra Roma.

A resposta sábia do Mestre

Com excelente sabedoria, Jesus convida a observar a moeda que servia para pagar e a verificar a presença da efígie do César cunhada nela. Santo Hilário interpretava a resposta de Jesus da seguinte maneira: "A moeda do César está feita em ouro, no qual se encontra gravada sua imagem; a moeda de Deus é o homem, no qual se encontra figurada a imagem de Deus; portanto, dai vossas riquezas ao César e guardai a consciência de vossa inocência para Deus".

O papa Francisco retoma esta ideia quando assinala: "A referência à imagem de César, incisa na moeda, diz que é justo sentir-se cidadão do Estado de pleno título — com direitos e deveres —; mas simbolicamente faz pensar em outra imagem que está impressa em cada homem: a imagem de Deus. Ele é o Senhor de tudo e nós, que fomos criados à sua imagem, lhe pertencemos antes de tudo a Ele".

A unidade de vida no mundo

A propósito desta cena e falando a cristãos que têm que santificar-se em meio ao mundo, são Josemaría recomendava viver a unidade de vida, isto é, conjugar os deveres cívicos com os religiosos sem invadir nem negar o âmbito de nenhum deles. Assinalava: "Já vedes que o dilema é antigo, como clara e inequívoca é a resposta do Mestre. Não há uma contraposição entre o serviço a Deus e o serviço aos homens; entre o exercício de nossos deveres e direitos cívicos, e os religiosos; entre o empenho em construir e melhorar a cidade temporal, e a convicção de que passamos por este mundo como caminho que nos leva à pátria celeste. A escolha exclusiva que um cristão faz de Deus, quando responde com plenitude a seu chamado, o impulsiona a dirigir tudo ao Senhor e, ao mesmo tempo, a dar também ao próximo tudo o que em justiça lhe corresponde".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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