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Sociedade

O ruído eletromagnético urbano afeta a orientação dos morcegos

29/05/2026 05:45 3 min lectura 16 visualizações
El ruido electromagnético urbano afecta la orientación de los murciélagos

Hallazgos da investigação

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bangor (Reino Unido), Universidade da Letônia e Universidade de Oldenburg (Alemanha) documentou como a exposição ao ruído eletromagnético em morcegos altera significativamente seu comportamento. O estudo se focou na espécie Pipistrellus pygmaeus, os morcegos mais pequenos da Europa.

Durante os experimentos, os pesquisadores expuseram esses mamíferos a um ruído de radiofrequência de banda larga fraca (0-300 MHz) durante 30 minutos ao entardecer, período no qual esses animais calibram naturalmente seus sinais ambientais. Posteriormente avaliaram sua orientação de voo durante a noite.

Resultados inesperados

Os morcegos expostos ao ruído eletromagnético decolaram em direções completamente aleatórias, enquanto os não expostos se orientaram perfeitamente rumo à direção migratória esperada. O surpreendente foi que posteriores experimentos demonstraram que a desorientação ocorria tanto durante a exposição ao entardecer quanto após o pôr do sol.

Além disso, os efeitos disruptivos persistiram várias horas além do período de exposição, fenômeno que os cientistas denominam "efeito de arrasto" e que constitui um hallazgo completamente inesperado para a comunidade científica.

Interpretação do fenômeno

Richard Holland, professor de Comportamento Animal na Universidade de Bangor, comenta sobre esses resultados: "Nossa intenção era ver como afetava o ruído ao sistema de detecção magnética dos morcegos, mas os resultados sugerem que o impacto é muito mais complexo. Assumia-se que, ao cruzar rapidamente as cidades, os animais não se veriam afetados por muito tempo. Entretanto, nossos dados indicam que mesmo uma breve exposição tem efeitos que perduram além desse período".

Will Schneider, pesquisador em Bangor e coautor do artigo, sugere duas possíveis explicações para esse comportamento anômalo: o ruído poderia distorcer tão severamente a interpretação do campo magnético que os morcegos decidam ignorá-lo, ou bem atuar como fator de estresse que os leve a descartar a migração essa noite, resultando em um rumo aleatório.

Implicações para a proteção ambiental

O estudo destaca um aspecto importante nas regulações atuais: as normativas sobre limites de exposição eletromagnética estão desenhadas exclusivamente para proteger aos seres humanos, deixando a fauna silvestre sem proteção específica. Esse hallazgo levanta consequências ecológicas significativas que não estavam previstas na legislação vigente.

Os pesquisadores sublinham a necessidade de revisar as regulações ambientais para considerar o impacto do ruído eletromagnético na vida silvestre, particularmente em espécies migratórias que dependem de sinais magnéticos para sua sobrevivência.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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