O fim do videogame físico alerta ambientalistas: "Não evita o impacto, apenas o desloca"
"Não soluciona o impacto ambiental, mas o desloca: por um lado há uma falsa diminuição de produto, embora exista na parte dos CD, mas aumentará o lixo eletrônico e fomentará o consumo massivo de servidores", declara em entrevista à EFE a responsável de energia e clima da Greenpeace na Espanha, María Prado.
Além disso, a organização ambientalista alerta que essa decisão ataca de maneira direta a circularidade do produto, o que faz com que os clientes passem de serem "proprietários" para "inquilinos temporários".
O movimento foi anunciado pela companhia como uma "evolução natural" para adaptar-se às tendências de consumo e causou controvérsia na comunidade gamer.
Contudo, a decisão não é trivial, mas sustenta-se na queda das vendas de videogames físicos durante a última década.
Segundo dados oficiais da desenvolvedora, as vendas digitais passaram de 10% em 2013 (ano de lançamento do PS4) a representar 85% ao encerramento do último ano fiscal (março de 2026).
Neste período foram vendidos pouco mais de 11 milhões de jogos físicos para consoles PlayStation (PS4 e PS5) de um total de 74,6 milhões comercializados.
A Sony retirará do mercado milhões de unidades de um produto altamente poluente e difícil de reciclar devido à sua composição de policarbonato, alumínio e plásticos.
Não obstante, ambientalistas alertam que a medida vem acompanhada de certas contradições, já que a PlayStation confirmou que manterá à venda em lojas físicas as capas dos títulos com um código de download em seu interior.
Desde a Greenpeace o consideram um gasto "sem sentido" de plásticos, embalagens e demais materiais, com seu correspondente consumo em transporte e distribuição, embora também coloque o foco na "dupla alerta" que supõe essa transição para o suporte digital.
Eliminar o formato físico — explicam a organização ambientalista — fará aumentar "o consumo eletrônico massivo de servidores", que tem um "impacto ambiental em recursos e também sobre os direitos humanos" porque "não está sendo avaliado corretamente o impacto que estamos deslocando para países do sul global".
"Dos centros de dados consta-nos que há uma total opacidade de seu impacto ambiental e que, além disso, têm um alto custo social pelo monopólio que estão construindo sem nenhum tipo de controle democrático nem regulação", aponta Prado.
As críticas da comunidade e empresas do setor concentram-se além disso na presumida perda de direitos que sofrerão os usuários sobre o produto.
"Cada vez que desaparece uma edição física, perdemos a liberdade de desfrutar de nossa paixão tal como queremos: a possibilidade de emprestar um jogo a um amigo, de revendê-lo, de colecioná-lo, de conservá-lo ou, simplesmente, de escolher onde e como o compramos, sem monopólios", denuncia a rede de lojas Game España.
Neste sentido, Prado acrescenta que inclusive o fim do colecionismo e da troca entre jogadores tem uma conotação ambiental.
"Com essa decisão, o usuário perde qualquer liberdade de compartilhar e trocar. O formato físico permitia uma circularidade do produto que agora deixa de existir", conclui a responsável da Greenpeace, que compara a situação ao que já ocorre há tempo com a música, os filmes e os livros.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.