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Sociedade

O ruído eletromagnético das cidades altera o comportamento dos morcegos

29/05/2026 05:00 3 min lectura 22 visualizações
El ruido electromagnético de las ciudades altera el comportamiento de los murciélagos

O estudo, dirigido por pesquisadores da Universidade de Bangor (Reino Unido), Universidade da Letônia e Universidade de Oldenburg (Alemanha), observou que a exposição ao ruído eletromagnético nesses mamíferos altera gravemente sua conduta.

Estudos anteriores haviam demonstrado que referido ruído eletromagnético pode alterar a capacidade dos animais de perceber o campo magnético, assim, para aprofundar nessa ideia, a equipe expôs morcegos Pipistrellus pygmaeus — os menores da Europa — a um ruído de radiofrequência em banda larga fraca (0-300 MHz) durante 30 minutos no pôr do sol.

Posteriormente, avaliaram sua orientação de voo durante a noite.

Esses morcegos, que migram à noite para suas zonas de invernada, calibram os sinais ambientais durante o crepúsculo, por isso, os autores previram que o ruído alteraria a capacidade desses animais de perceber o campo magnético e calibrar seu sistema de bússola interna.

Mas pensaram que afetaria apenas os morcegos quando expostos durante esse período crucial de calibração.

Após serem submetidos ao ruído eletromagnético, os morcegos decolaram em direções completamente aleatórias, enquanto os morcegos não expostos se orientaram perfeitamente na direção migratória esperada.

Mas para grande surpresa dos pesquisadores, experimentos posteriores demonstraram que a desorientação dos morcegos ocorria tanto se a exposição ao ruído se produzia durante o pôr do sol (período crucial para a calibração da bússola) quanto quando este já havia se posto.

Além disso, os efeitos disruptivos desse ruído eletromagnético perduraram várias horas além do período de exposição, o que sugere um "efeito de arrastamento" (carryover effect) à breve exposição, algo completamente inesperado até agora pela ciência.

"Esse achado foi bastante surpreendente", explica Richard Holland, professor de Comportamento Animal na Universidade de Bangor.

"Nossa intenção era ver como o ruído afetava o sistema de detecção magnética dos morcegos, mas os resultados sugerem que o impacto é muito mais complexo. Presumia-se que, ao cruzarem rapidamente as cidades, os animais não seriam afetados por muito tempo. Porém, nossos dados indicam que mesmo uma breve exposição tem efeitos que perduram além desse período, e independentemente de outros sinais".

Will Schneider, pesquisador em Bangor e coautor do artigo, aponta duas possíveis causas por trás desse comportamento anômalo: "Poderia ser que o ruído distorça tanto sua interpretação do campo magnético que os morcegos decidam ignorá-lo. Ou bem, que atue como um fator de estresse que os leve a descartar a migração essa noite, o que explicaria seu rumo aleatório".

O pesquisador adverte além disso sobre uma lacuna legal preocupante: "Esse inesperado efeito de arrastamento levanta consequências ecológicas significativas que não estavam previstas. É alarmante que as normativas atuais sobre limites de exposição eletromagnética estejam projetadas exclusivamente para proteger os seres humanos, deixando a fauna silvestre completamente vulnerável, mesmo quando se cumprem ditas diretrizes".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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