O milho paraguaio encontra mercados sólidos em um cenário internacional desafiante
O mercado regional de milho continua apresentando sinais positivas para o Paraguai, em um cenário onde o crescimento do consumo animal e a demanda de países vizinhos começam a consolidar novas oportunidades comerciais para o cereal paraguaio, explicou Federico Morixe, especialista em mercado internacional de grãos, durante uma entrevista em Valor Agregado.
Morixe explicou que o negócio do milho atualmente também está condicionado por variáveis energéticas e pelo comportamento da soja e seus derivados, principalmente a farinha de soja, que compete diretamente dentro da indústria de rações para alimentação animal.
"O milho subiu muito pela energia e pelo etanol, mas agora começou a cair", apontou.
O analista indicou que, se aumentar o uso de óleo de soja para biocombustíveis, haverá uma maior produção de farinha de soja, gerando uma pressão adicional sobre o mercado do milho. "Se a farinha de soja cair, o milho vai lutar para cair", afirmou.
Além disso, sustentou que a indústria de alimentação animal continuará incrementando o consumo tanto de milho quanto de farinha de soja, especialmente em setores vinculados à produção de carne bovina, avícola, suína e aquícola. "Cada vez mais o produtor faz rações e na ração sempre há farinha de soja e milho", comentou.
Para além da volatilidade internacional, o especialista destacou que o Paraguai continua fortalecendo seu posicionamento como fornecedor regional de milho, principalmente para mercados como Brasil e Uruguai.
Segundo Morixe, ambos os países mostram um crescimento sustentado no consumo do cereal e valorizam positivamente a qualidade do produto paraguaio. "Cada vez consomem mais milho paraguaio, gostam, conseguem melhores negócios e não há problemas de qualidade", garantiu.
O analista sustentou que a demanda regional representa atualmente uma das principais fortalezas do negócio de milho paraguaio, em um contexto onde tanto o Paraguai quanto os grandes produtores sul-americanos continuam incrementando seu volume de produção.
"O Paraguai cada vez produz mais, a Argentina também e o Brasil também", expressou.
Morixe alertou que um dos principais fatores de atenção para o negócio do milho passa hoje pela logística e pelos custos de transporte, especialmente em um cenário de combustíveis elevados e dificuldades operacionais. "O problema é a logística, entre o rio, os caminhões e os combustíveis caros", indicou.
Apesar disso, ressaltou que o Paraguai conta com mercados regionais seguros e firmes para continuar expandindo as exportações do cereal. "Brasil e Uruguai são mercados muito seguros e pagam muito bem o milho paraguaio", destacou.
Finalmente, considerou que o desafio para o setor passa por otimizar os momentos de comercialização e a logística para aproveitar melhor a crescente demanda regional.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.