O kokue: Criminólogo desnuda a máfia por trás dos cursillos policiais
Investigação de cinco anos revela rede de interesses econômicos na formação da Polícia Nacional
A recente inabilitação e posterior reativação do curso para aspirantes à Polícia Nacional destapou uma rede de interesses ocultos. O caso coloca em evidência que a formação policial se converteu em um negócio muito lucrativo para alguns poucos.
A respeito disso, o criminólogo Juan Martens Molas pôs sob a lupa o sistema de formação, recrutamento e capacitação da Polícia Nacional, revelando um esquema que prioriza o benefício econômico de certos setores e a improvisação política acima da segurança cidadã e do rigor técnico.
Um dos pontos mais críticos apontados por Martens é a recente inabilitação e posterior reabilitação do curso para postulantes à Polícia.
Segundo o especialista, existe uma verdadeira "indústria dos cursillos" no setor privado que pressionou fortemente para conseguir a reabertura do curso.
"Neste negócio estão diretamente vinculados comissários, ex-comissários e professores do Instituto de Educação Superior (Isepol), com cerca de 20.000 pessoas se apresentando como postulantes e mais da metade recorre a estes cursillos privados, cujas mensalidades oscilam entre G. 400.000 e G. 500.000, chegando inclusive a G. 3.000.000 na modalidade de internato", afirmou Martens.
A habilitação de 1.000 vagas funciona, segundo Martens, como um "oxigênio" para que esta indústria continue faturando e ganhando dinheiro à custa da ilusão dos jovens postulantes. "Fechar significava matar a esperança; agora está regulado, o que permite continuar vendendo esperança para muita gente", afirmou.
O especialista em segurança compartilhou descobertas de uma investigação de cinco anos sobre "Práticas e identidade policial", financiada em parte pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt), Inecip Paraguai e a Universidade Nacional de Pilar.
A investigação documentou que as atualizações e capacitações obrigatórias para o pessoal policial se converteram em um sistema de arrecadação de dinheiro e em uma "ficcionalização da capacitação".
Refere que, ao serem virtuais, carecem de indicadores claros de eficiência ou de controle de presença efetiva. "Há gente que cobra por colocar presença e gente que cobra por fazer trabalhos práticos", denunciou Martens, que indica que na gíria policial este esquema é conhecido etnograficamente como o kokue (chácara ou negócio próprio) de alguns comissários.
Segundo dados da investigação, em uma única sede podem ser arrecadados mais de G. 100 milhões por curso, dinheiro que posteriormente é distribuído a diferentes esferas da instituição, sem que isso contribua com nenhum resultado real em favor da segurança pública.
Martens também questionou com dureza a implementação dos chamados policiais expressos, um programa de formação que qualifica como improvisado e que responde a uma promessa de campanha eleitoral para aumentar abruptamente o número de agentes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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