O dólar e o novo desenvolvimentismo
O dólar valia em dezembro de 2024 cerca de G. 7.800. É o momento (1). Em abril de 2025 subiu até pouco mais de G. 8.000 (2); começou a cair desde agosto/25 (3) e chegou em novembro/dezembro/25 a menos de G. 7.000 (4). Para despencar desde abril/26 (5) até os G. 6.000 por dólar atuais. São cinco momentos marcados por um pentágono de fatos disruptivos exposto mais abaixo.
O que é a TC ou taxa de câmbio? Conforme a teoria de Mundell-Fleming (1963), a dinâmica da TC em um país determinado é um fator de ajuste endógeno muito singular que reflete os equilíbrios/desequilíbrios dos fluxos de capital com o exterior que, em geral, dependem das diferenças de taxas de juros interna e externa, e da soma algébrica (+ e -) das exportações e as importações ou balança comercial, que também depende por sua vez das variações do tipo de câmbio. São fatores que se retroalimentam de forma recíproca e circular.
No entanto, a teoria do novo desenvolvimentismo, cujo principal expoente é o economista brasileiro Luiz Carlos Bresser Pereira, diz que a dinâmica da TC em economias subdesenvolvidas pode responder também à doença holandesa (a elevada dependência de recursos naturais no ingresso de divisas e anomalias degenerativas com enormes imperfeições na competência dentro do mercado) –que eu denomino primitivismo produtivo e capitalismo de capangas– e à estratégia de crescimento (e financiamento) de um país excessivamente dependente da poupança externa. Paraguai, vivendo da dívida externa.
Voltando à história, desde dezembro de 2024, no momento (1), o presidente que estava por assumir, D. Trump, Bessent, seu futuro secretário do Tesouro, e Stephen Miran, seu futuro chefe de Assessores Econômicos, reunidos em Mar-a-Lago, definiram em um Paper ainda sigiloso de Miran (que consegui ler em fevereiro de 2025) o porvir: tornar mais competitivos os EUA depreciando o dólar, evitando o Flight to Quality, diminuindo a taxa de juros referencial para que os capitais não voem mais aos EUA para ganhar rentabilidade, ficando assim no resto do mundo para sobrevalorizar as moedas nacionais, com o apoio de seus respectivos Governos pró MAGA. Ao mesmo tempo, os novos líderes MAGA diziam que iriam proteger seu mercado nacional com fortes tarifas às importações. Isso passou no momento (2) quando, no 1/4/25 Dia da Liberação, Trump anunciou seu tarifaço que depois terminou renegociando.
A partir de meu prognóstico no momento (1) –de que a divisa podia ainda subir a G. 8.000– no dia 17 de março/25, depois de ler o Paper de Miran e entender o Acordo de Mar-a-Lago, escrevi um artigo no ÚH intitulado El Nuevo Orden Monetario Internacional onde advertia sobre o que estava por vir: Protecionismo de Trump e queda do dólar "all over the world".
No momento (5) "economia de guerra" e a "colisão do Ferrari de CFV" contra a "Geladeira Vazia", esta desvinculou o ministro do MEF. No momento (3) estávamos todos sob o triunfalismo investment grade, injetando-se desde o BCP mais de 700 milhões de USD ao mercado para baixar o dólar e conter a inflação. E, no momento (4), El Resurgir del Gigante –que tinha tempo de descer de sua arasa mata, fazendo uma adenda com uma TC menor, quando o dólar já estava perto de G. 7.000– manteve a TC acima de G. 7.800 no PGN/26 que estava sendo aprovado no Congresso. Tudo, para não passar o teto deficitário de -1,5% no PGN. O resto da história vocês já conhecem. Como estará o USD no futuro? Não sei, não me perguntem, e se soubesse teria a tentação de usar essa informação privilegiada para fazer negócios –como alguns hoje estão fazendo– e não lhes contaria. São as leis do selvagem mercado. Saudações cordiais!
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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