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Política

O desejo de mudança enfrenta uma batalha desigual

02/10/2026 13:45 3 min lectura 16 visualizações

Há mais. No ano de 2025, os orçamentos municipais incluíram G. 1,26 trilhões de transferências provenientes da Administração Central. Ao cruzar esses desembolsos com os orçamentos comunais, em 121 dos 247 municípios, o transferido pelo Ministério de Economia e Finanças equivaleu a 40% ou mais de seu orçamento municipal vigente. Quase a metade.

Isso revela que muitos municípios possuem muito menos autonomia fiscal do que sugere a palavra "municipalidade". Algo politicamente relevante. Quando o mesmo partido controla o Poder Executivo, 15 governações e 71% dos orçamentos municipais, a competição é inevitavelmente assimétrica.

O paradoxo é que semelhante estrutura política administra recursos escassos diante das expectativas cidadãs. Os orçamentos municipais mal chegam a 2% do produto interno bruto. Além disso, a fonte de receita que deveria lhes dar maior autonomia também não funciona como deveria. O imposto imobiliário é, em teoria, o tributo local por excelência. Na prática, o Paraguai arrastra cadastros incompletos, valores fiscais defasados e capacidade limitada de cobrança. Como resultado há cidades com necessidades crescentes e uma base fiscal que não cresce no mesmo ritmo.

Assunção tampouco escapa dessa restrição. Seu orçamento de 2026 ronda os 2 trilhões e é, por enorme distância, o maior do país. Ainda assim, sua escala fiscal é modesta diante de várias capitais da região, embora as competências municipais não sejam idênticas. O problema é que à escassez se agregou algo pior: má administração.

Entre 2020 e 2023 a Municipalidade emitiu G. 855.000 milhões em títulos. É quase 68% de tudo o que foi emitido desde 1997. Ou seja, em quatro anos colocou mais do dobro do que havia emitido durante os 23 anos anteriores. Parte desse dinheiro deveria financiar obras que não foram feitas ou ficaram inconclusas, enquanto a cidade arrasta vencimentos que condicionarão a próxima administração.

A dívida colocará em apuros qualquer um que assuma. Isso não converte, contudo, a má gestão em destino inevitável. Há margem para arrecadar melhor, ordenar o gasto, priorizar investimentos, profissionalizar a administração e recuperar algo tão básico quanto a capacidade de executar.

As expectativas dos cidadãos sempre serão maiores que os recursos municipais. Por isso importa ainda mais quem os administra. Este domingo não se elege abundância; se elege o que fazer com a escassez. E em Assunção, depois do ocorrido, melhorar a cidade exige também tomar uma decisão de não premiar os mesmos nem entregar-lhes a sucessão a quem representa continuidade dessa administração.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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