O desafio da pecuária, a eficiência: "O futuro não depende unicamente de ter mais vacas"
A queda do rebanho bovino constitui um dos principais desafios estruturais da pecuária paraguaia e obriga produtores e autoridades a trabalharem em uma estratégia conjunta que permita recuperar a produção de carne.
Assim o sinalizou o presidente da Associação Rural do Paraguai (ARP), Daniel Prieto, durante seu discurso na inauguração oficial da Expo Paraguai 2026, onde reconheceu que uma parte importante da responsabilidade corresponde ao próprio setor produtivo. "Nos preocupa profundamente a queda do rebanho pecuário. Reverter essa tendência exige um esforço compartilhado", afirmou o titular da entidade.
Prieto sustentou que os produtores devem concentrar-se em elevar a eficiência dos estabelecimentos, melhorar os índices reprodutivos e produtivos e aumentar os níveis de extração, de maneira a gerar uma maior quantidade de carne sem depender exclusivamente do crescimento do estoque.
"Como produtores, nos corresponde aumentar a eficiência, melhorar os índices produtivos e elevar os percentuais de extração. Esse é nosso compromisso", expressou.
O desafio inclui melhorar as taxas de prenhez e desmame, reduzir as perdas de bezerros, encurtar a idade de abate, incorporar tecnologia e otimizar o manejo nutricional e sanitário. A combinação desses fatores permitiria aumentar a produção de quilos de carne por hectare e por vaca matriz exposta.
Contudo, Prieto ressaltou que os avanços dentro dos estabelecimentos devem estar acompanhados por condições externas que estimulem o investimento privado. "Do Estado esperamos as condições que tornem possível esse esforço: regras claras, segurança jurídica, estabilidade e previsibilidade. Somente assim o produtor voltará a investir com confiança", indicou.
O Presidente da ARP levantou que a recuperação pecuária não pode limitar-se a uma discussão sobre a quantidade de animais disponíveis. Ao seu entender, o fator decisivo será reconstruir a confiança necessária para que o produtor retenha matrizes, melhore seus campos e incorpore novas ferramentas. "O futuro da pecuária paraguaia não depende unicamente de ter mais vacas. Depende, sobretudo, de que o produtor recupere a confiança e a previsibilidade necessárias para investir, incorporar tecnologia e produzir mais", afirmou.
Prieto advertiu que o investimento é o ponto de partida para recuperar o crescimento da cadeia. "Sem investimento não haverá mais produção. Sem mais produção não haverá mais carne, mais exportações nem maior desenvolvimento para o Paraguai", concluiu.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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