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O compromisso de abrir uma festa

Black Manzana abre o Metal Feria Fest com entrada gratuita e doações de alimentos

30/10/2026 05:15 3 min lectura 34 visualizações
  • Paulo César López
  • paulo.lopez@nacionmedia.com

Black Manzana será a banda encarregada de abrir o Metal Feria Fest neste sábado, 31 de outubro, a partir das 10h, no parque Carlos Antonio López. Aqui um resumo sobre uma banda que move e convida a corear suas letras. A entrada é livre e gratuita, mas solicita-se uma doação de alimentos não perecederos para crianças em situação de vulnerabilidade.

Em tempos em que a música parece consumir-se com a velocidade de um algoritmo, ainda existem bandas que sustentam o velho ritual do rock and roll como uma forma de resistência vital. Não se trata somente de tocar forte, de subir a um palco ou de vestir uma estética determinada: trata-se de acreditar que a música pode seguir sendo um espaço de comunhão, catarse e pertencimento. No Paraguai, Black Manzana encarna precisamente esse espírito.

A banda nasceu em 2008, em um território tão cotidiano quanto simbólico: os corredores da Faculdade de Filosofia da UNA, entre aulas, improvisações e sessões em Lambaré. Como tantas agrupações de rock surgidas à margem da indústria, sua origem responde menos a um cálculo profissional que a uma necessidade existencial.

José Ferro, vocalista e frontman do grupo, o resume com clareza: não encontravam o som que buscavam em nenhum outro lugar e decidiram construí-lo eles mesmos. Essa pulsão criadora – tão elementar quanto romântica – é talvez a essência mesma do rock.

Black Manzana se formou ao redor dessa busca compartilhada. Junto a Ferro na voz e gaita, aparecem Emilio Miret e Pepelo Martínez nas guitarras e coros, Nelson Miret no baixo e Peto Demestri na bateria. A formação conserva algo de confraria de bairro e de banda de amigos que cresceram escutando discos até altas horas da madrugada, alimentando-se da eletricidade do rock clássico dos anos setenta e oitenta. Porém, reduzi-los à nostalgia seria injusto: sua proposta tenta dialogar com essa tradição sem converter-se em uma simples réplica.

DUALIDADE

O próprio nome da banda revela essa dualidade. "Black" e "Manzana": escuridão e sensibilidade, crudeza e cotidianidade. Há algo deliberadamente ambíguo nessa mistura, uma identidade híbrida que parece sintetizar o espírito de suas canções. Ferro explica que o nome funciona como um convite a desfrutar da música e do espetáculo. A frase com a qual costumam se definir – "nós colocamos a música, a festa a fazem vocês" – resume uma filosofia profundamente rockeira: o show como experiência coletiva e não como simples exibição artística.

A lo largo de los años, Black Manzana foi construindo seu caminho com paciência e persistência. Desde o demo de 2009 até trabalhos como "Rock and roll hoy" (2012), "Nuestra peña" (2016) e "El rey será el primero en caer" (2024), a banda consolidou um repertório que oscila entre a celebração e a crítica, entre a ironia e a introspecção. Suas letras falam de assuntos cotidianos, de frustrações laborais, excessos noturnos, personagens marginais e contradições humanas, mas também de questões psicológicas e sociais. Tudo atravessado por um humor que evita a solenidade e permite que até mesmo as feridas se convertam em canções coreáveis.

Essa mistura aparece com clareza em temas como "No tengo trabajo", "El diablo pide whisky", "San Juan ára" ou "José Luis Félix", dedicada ao mítico Chilavert, convertido aqui em figura canônica do imaginário coletivo paraguaio.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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