O "álbum mundialista de desaparecidos" de um coletivo de buscadores no México
Ativistas de Jalisco criam cromos com estilo Panini para visibilizar a luta contra desaparições durante a Copa do Mundo 2026
Em meio à crescente emoção pelo próximo início da Copa do Mundo de futebol, em 11 de junho, um coletivo de buscadores de pessoas desaparecidas pela violência no México está criando um álbum de cromos comovente.
Os ativistas do coletivo Luz de Esperança de Jalisco, muitos deles pais e mães de homens e mulheres desaparecidos nesse estado, publicaram uma série de estampas com estilo mundialista com as imagens de seus entes queridos não localizados.
Com fotos das famílias, nas quais os jovens apareciam sorrindo, os rostos aparecem nos cromos com o mesmo design que utiliza o popular álbum Panini da Copa do Mundo 2026 que se celebra nos EUA, México e Canadá.
Uma das sedes do campeonato é Guadalajara, uma cidade localizada no estado de Jalisco que ostenta o primeiro lugar em desaparições de todo o México.
A grande maioria dos não localizados são jovens, menores de 30 anos.
A ideia deste álbum, diz o porta-voz do coletivo, Héctor Flores, é que a atenção internacional que atrairá a cidade de Guadalajara —sede de quatro partidas da Copa do Mundo 2026— também ajude a visibilizar a luta que realizam todos os dias para encontrar seus entes queridos.
"Esperamos que os visitantes se unam às ações de memória que estaremos realizando durante a Copa do Mundo. Haverá peladas e mobilizações e esperamos que as pessoas se unam, sejam empáticas e que a reação ultrapasse fronteiras para que cessem as graves violações de direitos humanos que estão acontecendo no país", diz Flores à BBC Mundo.
Com pelo menos 16.000 denúncias formais (às quais se somam milhares de casos não denunciados), Jalisco é o estado do México com mais casos de pessoas não localizadas.
O estado do oeste do México também tem uma alta cifra de violência, produto das atividades de narcotráfico e extorsão de organizações como o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
O grupo criminoso também é responsável pelo recrutamento forçado de jovens, muitos dos quais são enganados com ofertas de trabalho comuns e acabam sendo obrigados a colaborar com o CJNG e ficam incomunicados.
Isso e a lenta atuação das autoridades diante das denúncias de desaparição levaram muitas famílias de desaparecidos a se organizarem e buscarem por conta própria seus entes queridos, como o coletivo Luz de Esperança Jalisco surgido em 2021.
"Nós começamos em 2021, em razão do desaparecimento de meu filho (Daniel)", explica Héctor Flores.
Desde então dezenas de pais e ativistas se uniram ao coletivo para realizar trabalhos de busca, incluindo a escavação de locais onde há indícios de que foram enterrados falecidos da violência criminal.
E com o ambiente mundialista pela Copa do Mundo que se viveu nas últimas semanas em Guadalajara, o coletivo teve a ideia de gerar visibilidade à problemática das desaparições com os cromos.
"Iniciamos esta campanha em redes sociais com ajuda de inteligência artificial quando vimos que nossos filhos estavam falando da Copa do Mundo e como há um esquecimento sobre as desaparições", explica Flores.
Além das "estampas mundialistas", criaram outras imagens de torcedores da Seleção Mexicana apoiando o time, mas também perguntando por seus filhos ou filhas ausentes.
"A bola volta ao campo, e nossos desaparecidos?", é a mensagem que acompanha suas publicações.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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