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Economia

Nos EUA temem que maior importação de carne golpeie preços do gado e freie recomposição do rebanho

26/08/2026 03:00 3 min lectura 15 visualizações

A decisão do presidente Donald Trump de permitir a entrada temporária de até 300 mil toneladas de carne bovina sem a tarifa aplicada aos volumes fora de cota começou a gerar preocupação dentro do setor pecuário estadounidense. Embora a medida aponte para incrementar a oferta e conter os elevados preços da carne ao consumidor, analistas dos Estados Unidos advertem que também poderia provocar pressão sobre as cotizações do gado e afetar os planos de recomposição do rebanho.

Uma análise publicada na terça-feira passada pelo meio especializado Drovers, elaborada por economistas vinculados ao Southern Ag Today, colocou números no tamanho potencial da medida. Segundo o informe, 300 mil toneladas representam aproximadamente 661 milhões de libras de carne e, se se tratasse completamente de volume adicional ao previsto para este ano, implicaria um incremento próximo a 11% das importações estadounidenses e cerca de 2% de aumento na disponibilidade total de carne bovina do país.

A preocupação aumenta ao considerar que a janela anunciada pela administração estadounidense tem uma duração de apenas 90 dias. Drovers assinala que, em um cenário extremo onde todo esse volume adicional se concentrasse no quarto trimestre, as importações do período poderiam crescer aproximadamente 51% e a oferta total de carne bovina aumentar cerca de 8%. Sob essa hipótese, os Estados Unidos alcançariam a maior disponibilidade de carne bovina registrada para um quarto trimestre.

Contudo, os próprios analistas introduzem algumas considerações que moderam esse cenário. Uma parte importante do volume que ingresse durante a janela provavelmente já formava parte das importações previstas e simplesmente teria agora a possibilidade de fazer isso sem a tarifa extracota. Além disso, existe incerteza sobre a capacidade real dos países exportadores para dispor e embarcar semelhante quantidade de produto para os Estados Unidos em um período tão curto.

Outro aspecto destacado pelo meio estadounidense é o tipo de carne que o país compra. Embora o anúncio de Trump tenha estado relacionado à intenção de reduzir o preço da carne moída, os Estados Unidos importam principalmente carne magra e recortes utilizados para complementar a produção doméstica de hambúrgueres e carne picada. Nesse sentido, Drovers considera que uma maior disponibilidade importada poderia exercer um impacto particularmente forte sobre os valores da carne magra e, dentro do mercado pecuário, sobre as vacas de descarte.

A principal inquietação do setor, não obstante, passa pela eventual reação dos preços do gado. A análise recorda o ocorrido em outubro de 2025, quando Trump anunciou medidas orientadas a ampliar o acesso de carne argentina e flexibilizar tarifas para o Brasil. Nas duas semanas seguintes, os terneiros machos em Arkansas...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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