Nicanor adverte que percepção negativa do Governo pode custar caro à ANR
Ex-presidente defende que candidato não precisa ser expert em economia, mas deve ter vocação de serviço
Ante as críticas que recebeu o ex-intendente de Ciudad del Este Miguel Prieto por suas respostas sobre economia durante uma entrevista, o ex-presidente da República Nicanor Duarte Frutos afirmou à Monumental que a falta de conhecimentos técnicos específicos não constitui um impedimento para chegar à Presidência da República.
"Para mim não tem nenhuma vinculação. Do contrário, o presidente Lula, que chegou na terceira série e foi mecânico, não poderia ter chegado à presidência", respondeu ao ser consultado sobre os questionamentos a Prieto, a quem alguns setores consideram sem a preparação necessária para governar o país.
Duarte Frutos afirmou que um candidato presidencial não tem por que ser um expert em economia, mas deve contar com vocação de serviço e a capacidade de se rodear de pessoas preparadas para exercer funções no Estado.
"O candidato deve ter vocação de serviço e a decisão de que, se chegar à Presidência, convoque os melhores, aos patriotas, não aos comerciantes nem aos mercadores para cumprir funções no Estado", expressou em uma entrevista com a 1.080 AM.
Como exemplo, recordou sua própria experiência à frente do Executivo e as críticas que recebeu antes de chegar ao poder. Apontou que tampouco era expert em economia e que, durante sua gestão, optou por incorporar profissionais que não necessariamente pertenciam ao seu partido.
Recordou particularmente o ex-ministro da Fazenda Dionisio Borda, a quem atribuiu parte importante do desenho e do impulso das reformas econômicas e financeiras de seu governo.
"Um presidente não tem que estar exibindo títulos acadêmicos. Tem que sentir e tem que querer fazer bem. E não tem que ingressar na política para acumular ou fazer negócio", manifestou.
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Por outro lado, Duarte Frutos questionou a possibilidade de que existam conflitos de interesses no manejo do sistema financeiro e nas decisões vinculadas aos fundos públicos. Embora tenha esclarecido que não pode afirmar que exista uma estrutura desenhada para favorecer os interesses econômicos do presidente Santiago Peña, alertou sobre a necessidade de garantir a transparência.
"Não posso afirmar isso porque não estou no Governo e tampouco sou um expert em matéria econômica, financeira e bancária", apontou. Porém, sustentou que não se pode dispor discricionariamente dos recursos públicos e considerou especialmente delicado o manejo de fundos que pertencem aos segurados do Instituto de Previsão Social (IPS) e de quem aporta à Caixa Fiscal.
Em outro momento, o ex-presidente referiu-se ao peso que têm as percepções cidadãs nas eleições e sustentou que os questionamentos morais ou intelectuais contra um candidato não necessariamente impedem seu crescimento político.
Ao recordar casos como os de Lino Oviedo e Fernando Lugo, apontou que quando uma figura consegue conectar com o eleitorado e representar o hartazgo ou a decepção de uma parte da cidadania, as críticas podem perder efeito.
"Se um candidato conseguiu internalizarse no coração, seja pelo hartazgo ou porque há uma situação de decepção, podes dizer por ele qualquer coisa, igual vai ter o afeto do povo", expressou.
Duarte Frutos considerou que o voto na América do Sul responde cada vez mais às emoções e à rejeição hacia determinados setores políticos.
"Hoje na América do Sul, o voto que leva um candidato, ao presidente, já não é tanto um voto a favor, mas que o voto de raiva. A gente, em grande parte, vota contra alguém já", manifestou.
Nesse sentido, estimou que o componente emocional tem um peso determinante nas decisões eleitorais contemporâneas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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