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Paraguai

Na economia avançamos; na democracia devemos prestar atenção

08/07/2026 11:02 3 min lectura 11 visualizações

Esse desempenho merece reconhecimento. Porém, convém não confundir o crescimento econômico com a saúde da democracia. Ambos, algumas vezes, podem avançar por caminhos distintos.

No mesmo ano do segundo grau de investimento, o índice de democracia liberal de V-Dem para o Paraguai tocou seu ponto mais baixo. O indicador, que mede em que grau as eleições convivem com direitos individuais, igualdade ante a lei e controles legislativos e judiciais sobre o Executivo, seguiu mostrando uma queda sustentada: passou de 0,510 em 2010 para 0,419 em 2023 e 0,38 em 2025.

A tendência mostra uma erosão sustentada das garantias liberais nos últimos anos, não de melhora.

A percepção cidadã acompanha esse deterioro. Segundo o Informe Latinobarómetro 2024, apenas 24% dos paraguaios declaram estar satisfeitos com o funcionamento da democracia. Mais revelador ainda, 72% afirmam que não se importariam que um governo não democrático chegasse ao poder se resolvesse os problemas, o percentual mais alto da América do Sul.

A isso se agrega um dado inquietante: entre quem rejeita a democracia, os mais jovens são maioria. Segundo o Latinobarómetro, o apoio juvenil à democracia é menor que o dos adultos mais velhos, tal como advertiu Marcelo Alonso em Tereré Cômplice, um sinal de alarma para um país onde a democracia tem apenas três décadas.

A tensão entre economia e democracia não se origina necessariamente nas eleições, que se celebram de forma periódica e competitiva, mas nos mecanismos que devem permitir acomodar a capacidade de funcionamento institucional ao ritmo do crescimento econômico.

Samuel Huntington o advertiu há mais de meio século, indicando que quando o desenvolvimento econômico avança mais rápido que a capacidade das instituições para processar as novas demandas sociais, o resultado não é mais ordem, mas mais instabilidade. Quando as instituições não respondem, a cidadania tende a deixar de culpar os governos para culpar a democracia mesma.

Frente a essa tentação, é necessário recordar Amartya Sen, especialmente em um país de histórica tradição autoritária como o Paraguai: a democracia não é um prêmio que se recebe após o desenvolvimento, mas parte do desenvolvimento mesmo, porque nenhuma taxa de crescimento capturará o valor de poder viver, discordar e se organizar sem medo. Não nos encontramos ali, mas é preciso tomar os sinais como um chamado para atendê-los.

O Paraguai vem impulsionando um reconhecido processo de crescimento econômico nas últimas décadas. Mas um país não se mede apenas por sua taxa de crescimento ou pelo juízo dos mercados. Se mede também por sua capacidade de limitar o poder, de proteger direitos e de sustentar instituições que funcionem com independência de quem governe. Nisso ainda temos uma dívida, e atendê-la é a tarefa que o bom desempenho econômico não deve nos fazer postergar.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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