MV Hondius, o cruzeiro de luxo para viagens polares que acabou em tragédia
Hospedagem de luxo para 170 passageiros distribuídos em 80 camarotes, seis deles suites com varanda privada; um casco reforçado para o gelo e tarifas entre 14.000 e 42.000 euros por pessoa: assim é o MV Hondius, o cruzeiro especializado em viagens polares que sofreu um surto de hantavírus, que até agora causou três mortos e oito contágios.
Nesta expedição o navio transportava 149 passageiros de 23 nacionalidades, entre eles 14 espanhóis, segundo o último comunicado da Oceanwide Expeditions, empresa proprietária e organizadora das viagens do Hondius e de outros seis navios de expedição Ártica e Antártica.
Um percurso paradisíaco com escassa presença humana
Com um percurso que durava, se fosse completo, 46 dias, o primeiro navio polar Classe 6 registrado na história, segundo afirma o site da Oceanwide Expeditions, partiu em 20 de março de Ushuaia, na província de Terra do Fogo da Argentina, de onde começou um fascinante, gelado e quase carente de presença humana percurso por distintos pontos do oceano Atlântico, que incluía as paradisíacas Ilhas Malvinas ou as Georgias do Sul.
Uma das primeiras paradas foram as Sandwich do Sul, umas ilhas vulcânicas sem população permanente atrativas por sua fauna selvagem e suas condições extremas, de onde partiu para a ilha de Tristão da Cunha (à altura da África do Sul).
Não foi até chegar à ilha de Santa Helena em 24 de abril, situada no meio do Atlântico – a 1.950 quilômetros da costa africana mais próxima (em Angola) e a 3.280 da mais próxima da América do Sul (Brasil) – quando se produziram trinta desembarques que estão sendo investigados, entre eles o corpo do passageiro que havia falecido no dia 11 do mesmo mês, junto a sua esposa, que foi trasladada a um hospital de Johannesburgo (África do Sul) com sintomas.
O destino final está previsto em Tenerife, Ilhas Canárias (Espanha), aonde se prevê que chegará este domingo, depois de completar uma expedição que permaneceu detida de 3 a 6 de maio no penúltimo ponto de sua trajetória, Cabo Verde, o arquipélago africano situado à altura da Mauritânia e Senegal.
Amigável e verde. O Hondius está desenhado especificamente para realizar expedições em regiões polares, centradas na ciência e na investigação, tanto pelo Ártico como na Antártida. De fato, supera as exigências do Código Polar da Organização Marítima Internacional (OMI) e é o navio mais flexível, avançado e inovador nas regiões polares atualmente.
Conta com 57 trabalhadores a bordo, 13 guias e até um médico – que também se contagiou e foi evacuado para os Países Baixos –, o que se traduz em pouco mais de dois passageiros por trabalhador.
Alcança os 15 nós de velocidade (equivalentes a 27,78 km por hora) graças a seus dois motores principais e pesa 5 toneladas e meia. Apesar disso, este luxuoso cruzeiro se orgulha de que quem viaja nele possa se sentir orgulhoso de ter escolhido o navio mais respeitoso com o meio ambiente dos mares polares.
Segundo informa a Oceanwide Expeditions, o cruzeiro utiliza aquecimento a vapor, lubrificantes e tintas biodegradáveis, iluminação LED e potentes limitadores de consumo de combustível CO2.
Não obstante e ainda com vastas comodidades, o Hondius mantém uma filosofia centrada nas atividades costeiras, avistagem de fauna e expedições em terra, por o que tenta manter os dias de mar curtos e garantir excursões de qualidade com desembarques ágeis para todos os passageiros.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) insistiu ontem que o risco do hantavírus para a população em geral continua sendo mínimo, enquanto vários países se preparam para repatriar os passageiros presos no cruzeiro afetado por um mortífero surto.
Três passageiros do MV Hondius morreram e outros se infectaram deste vírus pouco comum, que normalmente se propaga entre roedores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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