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Polícia

Muitos preferem ser o "kokue" enquanto conseguem um "lugar porã"

Aspirar a ser suboficial da Polícia Nacional requer investimento elevado, mas policiais buscam postos fronteiriços para recuperar gastos com propinas

06/07/2026 12:06 4 min lectura 6 visualizações
Muchos prefieren ser el “kokue” mientras consigan un “lugar porã”

Aspirar a ser suboficial da Polícia Nacional requer um investimento muito elevado, que implica o pagamento do curso, compra de uniformes e até produtos de limpeza, mas tudo compensa na hora de estar ligado ao "kokue", enquanto se consegue um "lugar porã".

A respeito disso, conversamos com o criminólogo Juan Martens, que refere que a preparação e postulação para aspirantes custa uns G. 15 milhões, enquanto o ingresso e o combo entre G. 10 milhões e G. 15 milhões.

Uma vez formados, o clientelismo desempenha um papel chave para recuperar o investimento. Os policiais buscam, mediante pagamentos de propinas a seus chefes, ser designados aos chamados "lugares porã" (bons lugares), que são os pontos fronteiriços de maior arrecadação ilegal, localizados no topo das preferências em departamentos como Canindeyú, Amambay e Alto Paraná.

Martens comenta que outro exemplo de kokue é o agente que se encontra resguardando os distintos tipos de comércios. Um desses efetivos lhe confessou que lhe pagam G. 300.000 por "se colocar lá". "Então – prossegue –, enquanto tecnicamente seu chefe estaria cobrando G. 1.500.000, fica com G. 1.200.000".

"Por esse policial obviamente que seu chefe vai lutar para que não vá para nenhum outro lugar, porque lhe rende G. 1.200.000 ao mês. Com que ele tenha dez policiais que resguardam três, quatro bancos, supermercados, e esse é o kokue", detalha.

Relata que é o espaço físico territorial de possibilidades de captação de investimento, que se replica nos 17 departamentos e quem queira sair, inclusive, "tem medo de que o matem".

"Até aqui, o objeto de extração está fora. Quando é que o agente se torna o objeto de extração ou mercadoria? Quando deseja seu traslado. Um quer ir a Pedro Juan e isso pode custar G. 15, 20 milhões, e aqui o castigo é Central e Capital. Então, quem se forma recentemente fica por aqui e os outros devem conseguir como for para ir embora", explica.

Por sua parte, o comissário geral inspetor Brígido Ernesto Ojeda Báez, diretor do Instituto Superior de Educação Policial (Isepol), nos confirma que os ingressantes têm muitos gastos para ingressar.

"Isso é categórico, uma vez que ingressam têm muitos gastos, porque têm que comprar tudo de uma vez e devem fazê-lo nas casas comerciais habilitadas pela Polícia Nacional, nas quais tampouco temos nada a ver", esclarece o comissário.

Testemunho. A mãe de uma suboficial relata que teve que se endividar para cumprir o sonho de sua filha.

"Eu lhe pagava G. 400.000 o curso mensalmente; hoje o preço subiu. Minha sobrinha já começou a pagar G. 500.000, G. 550.000 o curso", explica.

"Um ano tem que preparar seu filho", diz. E adverte que se não se preparar fisicamente e academicamente, "em uma hora já morre e não ingressa".

A mulher – de quem protegemos a identidade – qualifica diretamente esse ingresso como "um negócio gigante" e detalha que a maioria dos donos dos cursos são "policiais aposentados, jubilados" e que hoje "por todos os lados tem isso".

Superado o curso, vem o ingresso no Colégio de Polícia, onde – segundo o testemunho – o gasto dispara.

"Quando minha filha ingressou lhe deram a lista do que tem que levar. E aí na hora você tem que comprar tudo para entrar", afirma.

Na lista figuram uniformes, colchão, guarda-roupa, balde, vassoura, pano de chão e produtos de limpeza. "Menos de G. 300.000 não custa", diz a respeito dos uniformes.

"Algo como G. 10 milhões aí nos custou a gente. Você tem que colocar, tem que ter dinheiro, porque eles dão uma semana de tempo só para comprar todas as suas coisas e se não tem, vai fazer perder para sua filha uma oportunidade", adverte a mulher, que também refere que ingressar na Polícia Nacional "não é fácil e representa um endividamento e muito sacrifício".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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