Milhares de trabalhadores tomam La Paz em massivo protesto contra o governo da Bolívia
Milhares de trabalhadores marcham nesta sexta-feira na capital política da Bolívia para exigir a renúncia do presidente centrista Rodrigo Paz, cercado por uma onda de protestas apesar de seus anúncios de que ouvirá os reclamos sociais, constatou a AFP.
"Que renuncie, caramba!", grita a multidão de camponeses, operários, mineiros, transportistas e professores que paralisam as ruas de La Paz, sede do governo isolada há três semanas por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, combustíveis e medicinas.
Com apenas seis meses no poder, Paz enfrenta a pior crise econômica do país andino desde a década de 1980, com uma inflação de 14% interanual registrada em abril.
"Seis meses de governo e não conseguiu solucionar o básico, os preços da cesta familiar. Temos que escolher entre comprar carne ou comprar leite", diz na marcha Melina Apaza, de 50 anos, da região mineradora de Oruro (sul).
Paramentados com capacetes ou ponchos, os manifestantes, muitos dos quais agitam bandeiras indígenas, avançam entre o barulho de petardos em direção ao centro da cidade.
Os acessos à praça de armas, em frente ao palácio do governo, estão resguardados com grades e vigiados por centenas de policiais de choque.
Muitos negócios fecharam suas portas e os vendedores ambulantes recolheram sua mercadoria por temor a saques.
Em meio à convulsão social, o governo anunciou esta semana que reorganizaria seu gabinete com funcionários com "capacidade de escuta". Em sua primeira mudança, nomeou um novo ministro do Trabalho.
Os reclamos iniciais de aumentos salariais, combustíveis de qualidade e a estabilização da economia se radicalizaram com o passar dos dias.
Agora os manifestantes pedem a saída do mandatário, que encerrou 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025).
Meio centenar de bloqueios se registram nas vias do país nesta sexta-feira, conforme dados oficiais. O governo informou que quatro pessoas morreram ao não conseguir chegar de emergência a centros médicos.
- Fonte: AFP
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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