MIC insiste em industrializar o país com energia barata, mas especialistas alertam que esta se esgota
O ministro de Indústria e Comércio, Marco Riquelme, considera que o Paraguai desperdiça seus recursos energéticos. "Estamos cedendo nossa energia para gerar emprego no Brasil", afirmou na terça-feira passada no 6º fórum da Câmara Viária Paraguaia (Cavialpa).
Segundo explicou, essa energia retorna ao país convertida em produtos terminados, e por isso o saldo de manufaturas com o Mercosul apresenta um déficit negativo de USD 6.000 milhões ao ano. Atualmente, o Paraguai oferece um dos preços mais econômicos da região por sua energia, inclusive para empresas electrointensivas.
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Riquelme destacou como vantagens do país a mão de obra jovem, a energia competitiva e os baixos impostos. Citou como exemplo a maquila, que, segundo disse, gera mais de 40.000 empregos formais. Além disso, contou que propôs ao Brasil uma política industrial conjunta, que favoreça ambos os países.
Porém, o Informe Técnico nº 2/26, divulgado pelo Instituto de Profissionais Paraguaios do Setor Elétrico (IPPSE) apresenta um cenário muito distinto. Como já alertaram anteriormente, projeta-se que para 2030 o Paraguai consumirá 100% da energia que lhe corresponde em Itaipu e Yacyretá.
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O documento identifica um "lapso crítico", que iniciará em dois anos, de 2028 a 2030, um cenário muito mais difícil que a abundância anunciada pelo MIC. Para cobrir a demanda, a saída "rápida" que propõe o informe do IPPSE é importar energia tanto do Brasil quanto da Argentina. Estimam que, na década de 2030, o país deverá importar entre 500 e 1000 megawatts de nova potência por ano.
Igualmente, o IPPSE adverte uma mudança de paradigma: passar de uma energia abundante e barata, para uma energia apenas suficiente, com custos comparáveis aos da região. Somar novas opções de fontes energéticas implica um preço maior que o atual.
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Ambos concordam em negociar com o Brasil, embora com objetivos distintos: o ministro busca parceiros industriais e o IPPSE, garantir o abastecimento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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