Mastigar bem os alimentos melhora a atividade cerebral e a saúde integral
A importância histórica de mastigar corretamente
A história da mastigação conta com uma personagem singular: Horace Fletcher, nutricionista estadunidense do século XX apelidado de "O grande mastigador" por mastigar uma chalota 722 vezes antes de engoli-la. Fletcher acreditava que os alimentos deveriam ser mastigados até se tornarem líquidos completamente e "praticamente engolidos sozinhos".
Embora sua doutrina tenha sido extrema, pesquisadores modernos reconhecem que Fletcher tinha razão em vários aspectos fundamentais sobre os benefícios de uma mastigação adequada.
Benefícios comprovados para a saúde
Segundo especialistas do Instituto Karolinska na Suécia, mastigar mais proporciona uma ampla gama de benefícios para a saúde:
Melhora da digestão | Redução de calorias consumidas | Alívio do estresse e ansiedade | Fortalecimento da memória | Aumento da capacidade de atenção
Além disso, existe uma correlação documentada entre a saúde bucal e condições como a doença de Alzheimer e a demência. Alguns especialistas sustentam que melhorar a saúde dental dos pacientes poderia inclusive ajudar a reverter o envelhecimento mental.
Evolução e função da mastigação em humanos
Os dentes e mandíbulas humanas sofreram mudanças significativas ao longo de milhões de anos. Os primeiros homininos, que viveram há aproximadamente 6 ou 7 milhões de anos, tinham dentes similares aos dos primatas atuais, especialmente úteis para comer frutas grandes e carnudas.
À medida que as florestas tropicais deram lugar a habitats mais abertos e ecossistemas de savana, os homininos tiveram que se adaptar a alimentos mecanicamente mais difíceis, como sementes, nozes e tubérculos. Essa necessidade provocou a evolução de molares maiores, mandíbulas mais amplas e músculos mais potentes.
Com o desenvolvimento de ferramentas, do processamento de alimentos, da agricultura e do fogo para cozinhar, a necessidade de mastigar durante períodos prolongados diminuiu significativamente.
Comparação com outras espécies
Atualmente, os humanos dedicamos aproximadamente 35 minutos diários à mastigação, em comparação com:
4,5 horas em chimpanzés e bonobos | 6,6 horas em gorilas e orangotangos
Apesar dessas mudanças evolutivas, a função fundamental de mastigar permanece constante em todos os mamíferos.
A função biológica de mastigar
"Os mamíferos mastigamos de forma tão complexa porque queremos obter a maior quantidade de energia possível do alimento para alimentar nosso metabolismo de sangue quente", explicam os especialistas.
Em seu nível mais básico, mastigar decompõe os alimentos em partículas pequenas e as umedece com saliva, facilitando sua deglutição. É a primeira fase da digestão, segundo pesquisadores pioneiros em fisiologia oral.
A mastigação não apenas aumenta a produção de saliva, mas também estimula processos digestivos que impactam positivamente na absorção de nutrientes e na saúde geral do organismo.
Recomendações para uma melhor saúde
Os especialistas sugerem que dedicar maior atenção a uma mastigação completa e consciente pode ser uma estratégia simples mas efetiva para melhorar tanto a saúde física quanto mental, sem necessidade de adotar práticas extremas como as de Fletcher.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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