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Saúde

Hantavírus e ébola confirmam falta de consciência diante dos riscos de pandemia, diz especialista

21/05/2026 07:45 4 min lectura 5 visualizações
Hantavirus y ébola confirman falta de conciencia ante los riesgos de pandemia, dice experta

Os letais surtos de hantavírus e ébola mostram que, apesar de a resposta às crises de saúde pública ter melhorado, o mundo continua sem ser suficientemente consciente dos riscos de pandemia, alertou uma especialista na matéria. Mais de seis anos após a Organização Mundial da Saúde declarar a pandemia de covid-19, os esforços mundiais para reformar a resposta às crises de saúde pública tiveram um impacto positivo na reação aos atuais surtos de hantavírus e ébola, afirmou Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e copresidenta do Painel Independente de Preparação e Resposta ante Pandemias.

Na quarta-feira passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que a epidemia de ébola na República Democrática do Congo (RDC) não representa "uma emergência pandêmica", mas sim um risco "elevado" em nível nacional e regional. "As novas normativas sanitárias estão funcionando", disse Clark à AFP em Genebra.

Quando o alerta foi emitido, na última sexta-feira, sobre o novo surto de ébola na RDC, e semanas após ser anunciado um surto de hantavírus no navio MV Hondius no oceano Atlântico, "a resposta tem funcionado bastante bem", avaliou. "Nosso problema agora se encontra muito além disso", disse Clark, insistindo que ainda há muito trabalho a ser feito para identificar os riscos e como "surgem esses surtos".

"Acredito que precisamos de muito mais conhecimento sobre preparação baseada no risco", afirmou, e pediu para se focar mais em conhecer o próprio risco e "o que poderia surgir", e em "estar preparados para enfrentá-lo". "Temas básicos de vigilância, de detecção precoce... ainda não estamos nisso", comentou.

Por exemplo, Clark apontou que a espécie de hantavírus por trás do surto no navio, que desencadeou um alerta sanitário mundial após a morte de três pessoas, era conhecida por ser endêmica na zona da Argentina de onde partiu o barco. "Mas não temos claro quanto sabiam disso os barcos que partem regularmente de lá", disse.

Ao mesmo tempo, o surto da cepa Bundibugyo de ébola que, suspeita-se, matou mais de 130 pessoas na República Democrática do Congo, parece ter ficado fora dos radares durante semanas, pois os testes que estavam sendo realizados eram de outra cepa e davam negativo.

"Como isso pôde ocorrer durante quatro ou seis semanas (...), propagando-se, sem que tivéssemos os resultados dos testes que precisávamos para demonstrar que se tratava de uma variante em particular?", perguntou-se a especialista. A ex-mandatária pediu que se investigue "a cadeia de acontecimentos e o que podemos aprender com ela, o que nos diz sobre as capacidades que precisamos".

"Tempestade perfeita"

Clark também destacou que o surto de ébola pôs especialmente em evidência o grave impacto que têm os fortes cortes de ajudas mundiais nos esforços de prevenção de doenças.

"Há uma tempestade perfeita", advertiu, e lembrou que há países a quem foi pedido "de repente" que "façam muito mais investimentos nos sistemas de saúde, que antes vinham de doadores".

"Com a melhor vontade do mundo, os países mais empobrecidos e frágeis simplesmente não têm dinheiro em caixa para fazer isso, então estão sendo negligenciados muitos assuntos em muitas áreas".

Clark insistiu que "a solidariedade global continua sendo extremamente importante".

"Estamos falando de bens públicos mundiais", afirmou, e apontou que já foi confirmado um caso de ébola em um cidadão estadunidense que se contagiou na RDC, e que o hantavírus "apareceu de repente em lugares onde [desembarcou] gente do navio". "Estamos juntos nisso, então temos que buscar vias para financiar a preparação ou a resposta que reflitam nossos interesses compartilhados", acrescentou.

Fonte: AFP.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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