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Cultura

Mães, mestras e herdeiras: o legado do artesanato paraguaio

09/05/2026 08:00 3 min lectura 7 visualizações
Madres, maestras y herederas: el legado de la artesanía paraguaya

Um saber transmitido de geração em geração

A artesanaria paraguaia representa um conhecimento fundamental que se transmite através da prática, combinando o saber fazer com valores culturais profundamente arraigados. No Paraguai, como em muitas outras latitudes, o trabalho artesanal constitui uma importante fonte de renda para as famílias, particularmente para mulheres que compatibilizam tarefas de cuidado com atividades produtivas. Este ofício não apenas gera recursos econômicos locais, mas também facilita o acesso a divisas internacionais.

Estas histórias de artesãs ilustram a importância do vínculo mãe-filha na preservação de saberes coletivos. A transmissão de técnicas ancestrais representa um aporte cultural inestimável, permitindo que as famílias atuem como guardiãs vivas de tradições que definem a identidade nacional.

O ñandutí como herança familiar

Lida Candia, tejedora de ñandutí com 57 anos de trajetória, aprendeu esta técnica de sua bisavó sendo criança. O que começou como imitação lúdica se transformou em uma profissão que tem sustentado sua família durante décadas. "Tejer ñandutí é uma arte que me apaixona, mas, acima de tudo, contribuiu muitíssimo para toda a família e nosso sustento", comenta Candia.

Seu trabalho combina desenhos clássicos com criações personalizadas, permitindo-lhe participar em feiras internacionais e ver suas criações distribuídas pelo mundo. Sua filha Lea Carolina, de 22 anos, também abraça este saber fazer desde a infância. Atualmente, a terceira geração da família, com uma neta de 6 anos, já participa da tecelagem, consolidando uma cadeia intergeracional de conhecimento.

O orgulho de preservar a tradição

"Como o ñandutí é herança familiar e eu trabalhei com ele a vida toda, é claro que me faz muito orgulhosa que até agora eu possa trabalhar e continuar com o legado que me deram a mim e às minhas irmãs. Conseguimos abrir uma loja e trabalhar de maneira independente"

Fidelina Burgos, tejedora de poncho para'i, e Hermenegilda Maqueda, ceramista, representam trajetórias similares de maestria artesanal. Estas artesãs funcionam simultaneamente como mães, mestras e herdeiras, encarnando as histórias de milhares de famílias paraguaias onde o trabalho artesanal permite tanto o bem-estar material quanto a realização cultural.

O reconhecimento destas figuras paradigmáticas no seio familiar destaca como a artesanaria transcende o econômico para se converter em expressão de identidade, dignidade e continuidade cultural. As filhas que decidem aprender estes ofícios não apenas asseguram seu sustento, mas participam ativamente na preservação de saberes que definem a riqueza cultural do Paraguai.

Impacto econômico e cultural

O legado que estas artesãs transmitem vai além de técnicas específicas. Representa um modelo de empreendedorismo independente, acesso a mercados locais e internacionais, e fundamentalmente, a valorização do trabalho feminino e dos conhecimentos ancestrais. Sua participação em feiras e espaços comerciais evidencia como a artesanaria tradicional mantém vigência em mercados contemporâneos.

A decisão das gerações mais jovens de continuar com estes ofícios reflete a relevância que mantêm estas práticas como fonte de identidade, sustento e realização pessoal, consolidando um ciclo virtuoso de preservação cultural e desenvolvimento econômico familiar.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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