Lilian pede a Barán que convoque mesa de trabalho antes da greve
Senadora solicita diálogo com médicos para evitar paralização marcada para 24 de agosto
Ante o início iminente da greve de médicos, a senadora Lilian Samaniego instou a ministra de Saúde, Teresa Barán, a convocar antes de segunda-feira uma mesa de diálogo com os médicos para abordar seus reclamos e apresentar uma proposta concreta que permita evitar a medida anunciada para 24 de agosto.
Lilian sustentou que os médicos têm um reclamo legítimo e pediu que, durante a greve, se garanta a cobertura de urgências e emergências. "Os médicos têm direito legítimo, já ouviram todas as inquietações e tem que haver uma resposta concreta", afirmou.
A legisladora comentou que recebeu o Sindicato de Médicos (Sinamed) e apontou que os reclamos abrangem os eixos de reajuste salarial, estabilidade laboral, pagamento dobrado por feriados e melhores condições de trabalho. Segundo expôs, de cerca de 11 mil médicos do sistema, aproximadamente 9 mil seriam contratados, muitos com uma média de dez anos de antiguidade, sem estabilidade laboral nem acesso a determinados benefícios.
"Estão reclamando estabilidade laboral depois de tantos anos de serviço", sustentou a senadora, ao considerar que não se pode desconhecer a trajetória de profissionais. Ressaltou que os médicos reclamam o pagamento dobrado pelos feriados trabalhados e que, de acordo com o que lhe manifestaram, durante anos não receberam uma compensação adicional por essas jornadas.
"Eles não estão pedindo algo fora da lei. Estão solicitando o que corresponde", afirmou a legisladora, que colocou como exemplo que um trabalhador deve receber uma remuneração adicional quando presta serviços durante um feriado.
Indicou que os médicos colocam que se contrate mais médicos especialistas em hospitais de referência para contar com uma equipe multidisciplinar e assim ter um poder resolutivo.
Também reclamam que os hospitais disponham dos insumos necessários para atender urgências e emergências. Samaniego sustentou que esse ponto resulta especialmente preocupante porque a falta de elementos básicos pode comprometer diretamente o atendimento e colocar em risco a vida dos pacientes.
Igualmente, questionou a situação dos medicamentos e insumos nos hospitais. Citou dados do sistema de informação do Ministério de Saúde e afirmou que 64,7% do inventário central está com disponibilidade zero. "Cerca de 1.766 produtos estão em estado crítico. Têm-se para três meses apenas", contou também. Igualmente contou que 1.304 produtos estão com estoque zero. "Isto quer dizer que seis de cada dez medicamentos não existem", explicou.
Acrescentou que "nove de cada dez medicamentos estão em estado crítico, dois de cada três têm inventário existente".
"A escassez não é isolada, é estrutural porque isto vem aumentando. Em vez de melhorar, de ter o provisionamento de medicamentos, há um risco clínico imediato. A quebra afeta majoritariamente a fármacos que sustentam a vida. São vitais", manifestou.
Nesse sentido, comentou que 109 produtos são vitais e 49 deles se encontram em estado zero absoluto. Citou que 99 estão em estado crítico. Quanto aos medicamentos essenciais, indicou que de 162 produtos, 78 estão em estado zero absoluto e 147 estão em estado crítico.
Lilian falou também das denúncias que recolheu durante suas percorridas pelo interior do país. Mencionou, entre outros casos, a falta de ambulâncias e insumos em Vallemí e Concepción, assim como a ausência de especialistas e as dificuldades para cobrir as guardas em hospitais de referência.
"Nos hospitais existe um único médico de guarda à noite. Como o pobre médico vai se repartir em duas partes?", questionou e advertiu sobre as condições em que trabalham os profissionais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.