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Sociedade

Lições pendentes de (muitos) pais

08/10/2026 10:45 4 min lectura 15 visualizações

Esses materiais costumam apresentar como algo engraçado esse tipo de violência que durante muitos anos foi normalizada na sociedade, como uma "forma de educar".

"Que graça, não é para tanto. É para rirmos mesmo", com certeza alguém estará dizendo e outro estará falando disparates.

Mas sim é para algo. É para muito. A violência contra crianças e adolescentes por parte de um adulto, estejam sob sua tutela ou não, de forma nenhuma tem graça alguma.

Quando nas notícias aparece o caso de uma criança ou adolescente que foi brutalmente agredido por seu pai, mãe, padrasto, tio ou quem quer que seja, a indignação pode ser lida nos comentários das redes sociais.

Tampouco faltam, entre o repúdio generalizado, aqueles que buscam minimizar o fato, dizendo que lhes serviu na vida.

"Eu apanhei e saí bem do mesmo jeito". "Graças a que me corrigiram fui uma pessoa, não sou ladrão nem me perdi". "Eu não fiquei mal, só agora é a geração de cristal". Blablablá.

Não. Não é porque apanharam que saíram bem nem são boa pessoa. De fato, saíram muito mal para justificar uma selvageria semelhante e, por consequência, são má pessoa por não ter empatia pela criança agredida covardemente, ou acaso você pensa que alguém de 8, 10 ou 12 anos tem alguma possibilidade de se defender frente a um adulto que só pensa em descarregar toda sua raiva e frustração acumulada sobre ele?

Essas expressões justamente demonstram que estamos diante de uma parte da geração de pais e mães que não entendeu outra forma de diálogo que não seja o cinto, chicote, cabo ou chinelo ou qualquer objeto contundente pronto para machucar a criança.

Pessoas de 30, 40 ou 50 anos ou mais que cresceram com esse comportamento aprendido de seus maiores, que também aprenderam dos seus um único idioma: o dos golpes.

Gerações de adultos quebrados por dentro, que chegado o momento de exercer seu papel de formadores de novos integrantes da sociedade não sabiam o que fazer e que recorriam ao cinto no mínimo erro.

É assim que temos uma boa parte da atual geração de pais e mães a quem se lhes perde a bola nesses tempos. Navegam entre a violência mal contida ou a permissividade exagerada. "A criação respeitosa não falhou. Falharam os adultos que confundiram respeito com permissividade", diz um panfleto que me compartilharam nesses dias.

"Agora já não podes tocar nem bater em teu filho porque vem a polícia, a Codeni, etc.". Assim é, senhor, senhora. Nunca depois isso deveria ter passado pela tua cabeça, ainda mais se teu filho é pequeno.

Há uma década, no Paraguai foi promulgada a Lei 5659/2016 "de Promoção do bom trato, criação positiva e de proteção a crianças e adolescentes contra o castigo físico ou qualquer tipo de violência como método de correção ou disciplina".

Em seu primeiro artigo, explica que a normativa tem por objeto a proteção de crianças e adolescentes contra o castigo físico e outros tratos cruéis, desumanos ou degradantes. Acrescenta além disso que toda pessoa responsável pela pátrio poder, tutela, tutela dativa, tutela especial, guarda, criação, educação, cuidado, atenção, assistência, orientação, tratamento e proteção de crianças e adolescentes, tem proibida a utilização do castigo físico e de todo tipo de tratos cruéis, desumanos ou degradantes como forma de correção ou disciplina. Não estaria mal que este artigo o tenha colado na parede da casa.

Nos últimos anos houve importantes mudanças de paradigmas no que respeita à criação positiva para com os filhos. Até é um tema que é conversado com os alunos e pais nas escolas e colégios. Ainda que seja um bom avanço, ainda restam muitos pais e mães que o têm como tarefa pendente.

É categórico que são tempos difíceis, é inegável que não existe um manual para ser pai, é certo que cada família é um mundo à parte. É certo também que existem recursos, ferramentas e profissionais dispostos a ajudar nessa trajetória. O que não é aceitável é escudar-se na falta de conhecimento ou na dificuldade dos tempos para recorrer à violência como método educativo. Essa é uma lição que ainda muitos pais precisam aprender.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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