Lembrando os vizinhos de outrora: homenagem à solidariedade do bairro
O som da abertura do portão metálico às 6 da manhã anunciava a saída do contador público Rogelio Gorostiaga com seu velho Mercury dos anos 50, rumo ao trabalho. Assim começavam as jornadas durante décadas no bairro General Díaz, onde duas famílias viveram como se fossem uma só casa.
O chalé que marcou uma época
Dona Lelia Bogado de Gorostiaga cuidava impecavelmente de seu chalé dos anos 50, projetado por Alberto Barrail. A moradia contava com uma engenhosa escadaria que levava à porta principal, um escritório à esquerda e uma sala com piano que dava para a rua Alberdi. Nas tardes de fim de semana, o piano soava interpretado pelas irmãs Kitty e Cynthia Gorostiaga.
Don Rogelio, nascido em 1910, havia participado da Guerra do Chaco como radiooperador e pertencia à turma de contadores que se formou imediatamente depois do conflito bélico, já que a maioria de seus companheiros havia defendido a pátria.
Trajetórias profissionais destacadas
As filhas do casal Gorostiaga Bogado estudaram no prestigioso Liceo San Carlos. Kitty abraçou a carreira de Arquitetura e trabalhou no escritório do reconhecido arquiteto Natalio Bareiro. Por sua parte, Cynthia se formou em Matemática em 1965 na Faculdade de Filosofia da Universidad Nacional de Asunción, e posteriormente viajou aos Estados Unidos onde conseguiu trabalhar como tradutora oficial do Departamento de Estado em Washington.
Recordações que transcendem o tempo
A partida de Cristina 'Kitty' Gorostiaga de Sánchez, que residia há muitos anos em Madrid, despertou numerosas recordações. As fontes de sopa paraguaya e outros pratos requintados que se compartilhavam entre as famílias vizinhas cruzaram pela memória como uma sinfonia, atravessando a muralha que dividia os pátios, separados por uma antiga passagem pública que existia até os anos 30 sobre a rua Alberdi.
Histórias do bairro General Díaz
As recordações incluem episódios da Revolución del 47, quando a zona oeste do bairro General Díaz era considerada uma das mais complexas de Asunción, já que se encontrava no meio de enfrentamentos entre a Intendência do Exército, o Liceo Militar Acosta Ñu e a antiga Carrera Nacional. Também se recordam das tias Lola, Nieve e Berta Bogado, professoras que educaram gerações de paraguaios.
A essência da vizinhança tradicional
As conversas desde os respectivos terraços, com os lírios vermelhos do jardim que adornavam a amizade entre as duas famílias, representavam aquelas tradicionais maneiras de convivência vicinal de outras épocas. Esses vínculos caracterizaram a Asunción central dos anos 70, quando os vizinhos se convertiam em familiares adotivos em cada canto dos bairros asuncenhos.
Esta reflexão sobre a vizinhança de outrora convida a recordar esses tempos quando a solidariedade do bairro era parte natural da vida cotidiana, e os laços vicinais transcendiam as simples relações de proximidade para se converterem em verdadeiros vínculos familiares.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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