Legisladores propõem regular inteligência artificial e regulamentar Lei de Dados Pessoais
Proposta legislativa sobre inteligência artificial
O senador opositor Ignacio Iramain apresentou uma proposta para regular o desenvolvimento da inteligência artificial no Paraguai, citando a recente encíclica Magnifica humanitas do papa León XIV como referência sobre os desafios tecnológicos contemporâneos.
Iramain sustentou que o pontífice coloca a necessidade de estabelecer limites claros à inteligência artificial, esclarecendo que não se trata de proibi-la nem de frear o desenvolvimento científico, mas de evitar seu uso sob lógicas de competição armada, concentração econômica e domínio geopolítico. Nesse sentido, advertiu que a tecnologia está sendo controlada por poucos atores globais, o que aprofunda desigualdades de poder a nível internacional.
Riscos do avanço tecnológico sem regulação
O legislador também alertou sobre os riscos de uma eventual superinteligência e utilizou uma analogia biológica para descrever o avanço da IA, sinalizando que se trata de uma imitação das redes neurais humanas que evolui rapidamente e poderia superar o controle humano se não forem estabelecidas regulações claras.
Em sua exposição, recordou que o papa León XIV recorreu à metáfora da torre de Babel e das muralhas de Jerusalém para ilustrar dois modelos em disputa: um baseado na soberba do poder tecnológico e outro na construção de uma comunidade organizada, ética e solidária. Quando a única lógica é a rentabilidade, sinalizou, os algoritmos podem se transformar em ferramentas de dominação que afetam decisões públicas e direitos fundamentais.
Cinco eixos legislativos propostos
Iramain propôs uma estratégia legislativa estruturada em cinco eixos:
1. Regulação por níveis de risco: Classificar os sistemas de IA segundo seu impacto potencial.
2. Proibição de vigilância biométrica indiscriminada: Estabelecer restrições ao uso de tecnologias de identificação biométrica.
3. Direito cidadão à transparência: Garantir que os cidadãos saibam quando uma decisão foi tomada com assistência de IA e possam impugná-la perante uma autoridade humana.
4. Registro público de sistemas de IA: Criar um registro acessível dos sistemas de inteligência artificial em uso.
5. Proteção da soberania digital: Fortalecer a capacidade nacional de controle sobre as tecnologias implementadas.
O senador enfatizou que "a pergunta não é se o Paraguai usará inteligência artificial porque já o faz, mas quem a controlará, com que fins e sob que limites". Chamou a "armar a democracia" com leis, controles e responsabilidade pública para evitar que a tecnologia substitua a decisão humana em âmbitos sensíveis como a justiça, o emprego ou a administração pública.
Apoio legislativo à regulamentação de dados pessoais
A senadora Lizarella Valiente respalhou o posicionamento geral e exortou o Poder Executivo a regulamentar a Lei de Proteção de Dados Pessoais, ao considerá-la uma base-chave para enfrentar os desafios do avanço tecnológico. "Particularmente, estou tão de acordo com o avanço tecnológico, mas as questões éticas hoje estão em jogo", expressou a legisladora, coincidindo com a necessidade de estabelecer marcos regulatórios que equilibrem a inovação tecnológica com a proteção de direitos fundamentais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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