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Paraguai

Lançam livro que explora a guerra do Chaco pela perspectiva humana

Obra de Virgilio Cantero será apresentada na Feira Internacional do Livro de Assunção

31/05/2026 02:00 4 min lectura 5 visualizações
Lanzan libro que explora la guerra del Chaco desde la perspectiva humana

Apresentação de obra literária na Feira do Livro

O próximo quarta-feira, 3 de junho, às 15h00, na Feira Internacional do Livro de Assunção realizará-se o lançamento do livro "Naranja hái. Memorias del olvido", do docente e gestor cultural Virgilio Cantero. O volume reúne relatos baseados na memória oral popular que exploram como a tragédia da guerra afeta os seres humanos de distintas maneiras.

A apresentação ocorrerá no auditório María Elena Sachero do Centro de Convenções Marechal, a cargo do jornalista e escritor Julio Benegas, que esteve encarregado da revisão e cuidado da edição.

Origem e características da obra

Segundo Cantero, o livro nasce como uma tentativa de deixar por escrito um registro da tradição oral familiar acerca das vivências dos antepassados. A obra resgata as vivências de seus tataravós pelo lado materno, bem como a de seu avô e outros familiares durante a guerra do Chaco.

"É um cruzamento de relatos, um cruzamento de memória que permanece na tradição oral familiar. O fio condutor dos contos é a violência da guerra e como afeta de distintas maneiras homens e mulheres", explica o autor.

O enfoque da obra prioriza uma abordagem que aponta mais à questão civil e humana, deixando o aspecto militar como secundário. Cantero busca aproximar-se da experiência subjetiva que a guerra provoca nas pessoas a partir do que vivem os personagens, contrastando-a com um olhar à natureza, que permanece indiferente e invariável frente às tragédias humanas.

Literatura como complemento da história

Acerca de como se complementam a ficção literária e a história em sua obra, Cantero assinala que "a literatura, a partir de sua capacidade criadora e da ficção, chega a lugares aos quais a história não pode chegar por sua condição de ciência e de conhecimento crítico".

"A literatura funciona como um auxiliar da história para pensar e imaginar os pensamentos, vivências e experiências dos personagens e dos fatos históricos que a história não pode abordar por seu próprio caráter científico"

O autor explica que enquanto a história se encarrega da abordagem crítica da tradição oral, a literatura, como ficção, tem a capacidade de ficcionalizar esses fatos e apresentar uma aproximação verossímil aos acontecimentos.

Documentação e fontes

As fontes do livro baseiam-se na tradição oral familiar, contrastada com a tradição oral nacional e respaldada por documentos encontrados em Valenzuela. Cantero detalha que no Museu da cidade encontraram registros de doações que as pessoas realizaram para sustentar as despesas da guerra do Chaco.

Igualmente, nos arquivos escolares de uma das escolas da comunidade encontraram registros de atividades realizadas por crianças, mestres e pais para contribuir às despesas militares. Tanto no Museu de Valenzuela quanto na Escola 45 existem registros da época onde constam doações de moradores: ouro, prata, animais e produtos do campo.

Também foram encontrados registros escolares onde a diretora informava a seus superiores sobre atividades que realizavam os estudantes para produzir elementos enviados à frente, como confecção de cachecóis e tricôs, trabalho na chácara escolar, e outras atividades para sustentar os órfãos da guerra. Parte desses registros incluem-se no livro como fundamentação documental dos contos que abordam essa época.

Significado do título

Cantero esclarece que o título não se trata propriamente de um simbolismo, mas de um elemento presente em um dos relatos, onde essa fruta cumpre uma função-chave para que o personagem logre sobreviver e superar sua situação.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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