Javier Gómez representará Areguá no Festival Internacional de Artesanato no Equador
Ceramista é selecionado pela Unesco para levar a criatividade paraguaia a evento em Cuenca
Seleção internacional para representar Areguá
O ceramista Javier Gómez foi selecionado para representar Areguá Cidade Criativa da Unesco no stand que o organismo internacional instalará durante o Festival Internacional de Artesanato de América, organizado pelo Centro Interamericano de Artesanatos e Artes Populares (CIDAP), que terá lugar de 31 de outubro a 3 de novembro na cidade equatoriana de Cuenca. A escolha foi comunicada recentemente pela oficina da Unesco no Equador, após um processo de pré-seleção local e posterior postulação internacional.
Uma conquista que transcende o pessoal
Para Gómez, a designação representa muito mais que um convite a uma feira internacional.
"É uma grande conquista e uma enorme satisfação. Implica uma grande responsabilidade, já que através do meu trabalho estarei representando toda uma cidade e, por que não, um país inteiro", expressou.
O artista considera que este reconhecimento é resultado de mais de duas décadas de formação, disciplina e busca constante. Embora seu primeiro contato com a cerâmica tenha ocorrido no início dos anos 2000, quando estudava na Escola de Belas Artes e conheceu os ateliês de Areguá graças a um amigo, somente em 2018 decidiu dedicar-se por completo ao ofício junto a sua esposa.
Da logística à criação artística
Antes trabalhava no ramo logístico em Assunção. Porém, quando sua esposa ficou desempregada, ambos apostaram em abrir uma loja de artesanatos em Areguá.
"Nos propusemos fazer algo diferente. Ela contribuiu com sua formação em marketing e eu com minha preparação artística. Apostamos no design, na inovação e na qualidade", recordou. A fórmula funcionou: hoje a demanda por suas obras supera amplamente sua capacidade de produção.
As Dormilonas: inspiração na mitologia guarani
Entre as peças que identificam o trabalho de Gómez destacam-se as conhecidas Dormilonas, figuras femininas com olhos fechados que se converteram em seu selo artístico. A inspiração provém da Kerana, personagem da mitologia guarani.
"Busco representar essa conexão com os sonhos e os projetos que almejamos. É esse instante em que as ideias fluem no mesmo sentido", explicou o artesão. O que começou como uma linha de objetos decorativos hoje faz parte de uma ampla coleção de peças utilitárias e escultóricas.
Técnica e processo criativo
Sua produção combina torno de oleiro, modelagem e trabalho manual repuxado, para depois incorporar um processo de esmaltação a alta temperatura, próximo aos 1.240 graus, técnica que oferece o acabamento brilhante característico de suas obras.
"Sempre o ponto de partida será um objeto cotidiano, como um vaso ou uma vasilha, que com as mãos adequadas termina se convertendo em algo totalmente novo", afirmou.
Atualmente trabalha junto a sua esposa em um processo criativo compartilhado, onde muitas das peças são fruto de uma coautoria.
"Sem nos propormos, terminamos lançando as bases para uma nova geração de artesãos que entenda que a inovação faz parte do crescimento sem esquecer as raízes", sinalizou.
A identidade de Areguá na cerâmica
Desde 2019, Areguá integra a Rede de Cidades Criativas da Unesco no campo da Artesania e da Arte Popular. Para Gómez, essa distinção encontra sua explicação na profunda relação que a comunidade mantém com o barro.
"O que torna única a olaria de Areguá é a fusão entre a diversidade cultural e as técnicas vivas. A relação com o barro não é apenas comercial; é uma identidade que define toda a comunidade", sustentou.
Desafios do setor artesanal
Gómez também aponta os desafios que enfrenta atualmente o setor artesanal, entre eles as dificuldades provocadas pelas chuvas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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