…Já não sobra muito tempo!
A crise de mobilidade urbana em Asunción exige reformas profundas e mudança de mentalidade
Porém, a partir da metade deste último século, o incremento populacional e a consequente demanda por habitações produziram – também sem previsões nem planos – uma explosão dos negócios imobiliários que lentamente foram expulsando da cidade a população de menores recursos. Embora o mercado laboral seguisse permanecendo – em grande medida – atado dentro de seus limites.
E sem que tenhamos um plano nem tempo para a construção de infraestruturas de transporte e vialidade, começamos a divagar sobre soluções que não estão no calendário das prioridades, tanto de autoridades quanto de empresários do transporte. E de, aparentemente, ninguém.
O colapso que começou a envolver com suas garras a sofrida Asunción, enquanto as necessidades como a falta de propostas nos avassalam. Pois já não pode se contornar a supremacia dos veículos sobre as escassas instalações viárias; não pode se ignorar a sobrecarga de dióxido de carbono no ar que flutua entre nós, assim como a deterioração de todos os espaços para circular. As ruas seguem se enchendo do "salve-se quem puder" que lança a população, se apoderando de motocicletas e veículos de diversa procedência e características, enquanto brilha a ausência de um sistema de transporte coletivo/massivo de qualquer modalidade (trens ou ônibus articulados) para preencher o estrondoso vazio reinante neste setor.
O colapso viário está entre nós, com a grave e absoluta predominância do transporte individual e da falta de reação das autoridades. O problema é tão grave que não se explica que ainda alguns pensem que as eleições ou mudança de autoridades poderiam melhorar a situação. Pois o que se torna urgente é mudar uma mentalidade presa a séculos anteriores.
As enormes distâncias a cobrir pelos cidadãos, a grande quantidade de passageiros a transportar, o excesso de tempo investido em viagens cada vez mais lentas pela escassa inversão viária e as crescentes complicações do trânsito fizeram com que muitos usuários buscassem se munir de meios próprios. O congestionamento resultante, além dos altos custos dos veículos, forçou a popularização da motocicleta. Este veículo: econômico, leve e rápido para se manejar no cada vez mais conflitivo trânsito urbano, é ao mesmo tempo frágil e perigoso para seus condutores. Especialmente para aqueles que sem qualquer experiência anterior na direção, nem sempre dimensionaram adequadamente os riscos da condução.
Como se pode chegar a desmantelar estas insustentáveis combinações para a mobilidade da cidade? Revertendo o processo: reduzindo os tempos de viagem, eliminando ou atenuando a preponderância do transporte individual e fazendo com que as viagens sejam mais seguras, econômicas e rápidas. Para tudo isso, devem ser implementados investimentos viários, reformas urbanas, campanhas educativas e novos e variados mecanismos de mobilidade e transporte. E que o sistema, todo o sistema, cubra a totalidade da área metropolitana e áreas de influência nos arredores da capital … E isso apenas para começar!
Depois ou ao mesmo tempo, deverão ser encaradas reformas legais junto às viárias correspondentes. Se os loteamentos se fizeram mal e sem controle no passado, é hora de apelar a todo o arcabouço jurídico para fazer com que a circulação tenda a algo mais racional e eficiente do que temos.
A expansão para o Leste, agora obrigatória por razões econômicas, converteu os enclaves de Lambaré, Fernando de la Mora, San Lorenzo, Luque, Mariano Roque Alonso, Limpio e outros em "bairros dormitório" de Asunción. Porém fazendo com que seus habitantes seguissem valendo-se do mesmo "sistema" de transporte de outrora, embora a qualidade e eficácia desta forma de mobilidade já não corresponda, notoriamente, com as demandas da população usuária. Diante do fenômeno, os "empresários" do transporte apenas acertaram em aumentar sua frota de veículos congestionando ainda mais o caótico cenário urbano.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.