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Política

Já é demais

07/06/2026 10:45 3 min lectura 10 visualizações

Já sabemos o que acontece e vivemos isso a cada ano eleitoral. Nem se fala das comunidades vulneráveis, que são ignoradas o ano todo, mas nessas datas são as mais atendidas. Mas há algo mais para discutir: Por quê? E essa é minha intenção neste domingo porãite enquanto os e as filiadas se preparam para votar.

Uma pesquisa rápida nessa reunião me levou a uma resposta "Já é demais, te serve essa grana". E engoli todo esse discurso democrático representativo para reconhecer uma coisa: A gente precisa. Como depois 200.000 guaraníes não vão te fazer pensar se o jornal mínimo diário é de G. 111.502 e o quilo de carne de segunda é quase G. 40.000.

Isso nos leva a questionar as campanhas de "não venda seu voto", necessárias sim, mas na realidade, não atacam a raiz do problema que é encontrar quem são os que compram e concentram a responsabilidade em quem aceitam o dinheiro por necessidade ou simples descrença da política.

É muito fácil fazer sermão da comodidade de uma carteira cheia ou capaz vazia, mas com um sistema que nos sustenta, apontando o dedo para quem estende a mão para assegurar a comida de um par de dias. O purismo democrático se torna um luxo quando a barriga ruge ou quando o sistema público de saúde te obriga a rifar sua dignidade para comprar um medicamento básico. Pedir "consciência cívica" a quem o Estado abandonou há décadas é, além de hipócrita, um ato de profunda desconexão com a realidade.

Porque o que acontece com a maquinaria que estruturou um país para que 200 mil guaraníes pesem mais no presente imediato do que uma promessa de melhorias ou de educação de qualidade a longo prazo. É o clientelismo como política pública invisível. Te empobrecem sistematicamente para depois, a cada cinco anos, se apresentarem como os salvadores temporais de sua economia doméstica.

O voto no Paraguai há muito já passou a ser um bem de troca transável no mercado da miséria organizada. Enquanto a Promotoria persegue estudantes e camponeses, olha para outro lado diante dos verdadeiros financistas dessas campanhas –que injetam dinheiro sujo nos bairros mais necessitados–, o cidadão comum assume o "já é demais" como uma estratégia de sobrevivência que ao final é perfeitamente válida.

Essa lógica se muda desmantelando o monopólio da necessidade. Até que a dignidade não seja costume e os direitos básicos deixem de se negociar como favores, milhares de paraguaios seguirão cobrando sua parte no leilão eleitoral de cada temporada porque precisam, assim de simples. Meu humilde conselho: Aceitem os G. 200.000 e depois votem em quem quiserem.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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