IPS: Imperativo ético de salvaguardar direitos
O debate em torno da viabilidade financeira dos sistemas de pensões públicos está se convertendo em um tema recorrente nas notícias e no debate público em nosso país.
Apesar disso, continuam sem ser abordados pelas autoridades os problemas históricos.
Os relatórios da Controladoria-Geral da República CGR apontam que, caso não se corrijam as graves irregularidades e vulnerabilidades existentes, as reservas financeiras do Instituto de Previdência Social, IPS, correm sérios riscos. De fato, um antigo risco também não abordado é o gerado pelos níveis de evasão, o que impede que aumente a base contributiva.
O relatório da CGR adverte sobre a elevada concentração das colocações de fundos da previdenciária no sistema financeiro comercial.
Embora as colocações em certificados de depósito de poupança (CDA) e instrumentos bancários gerem receitas por juros, a distribuição desses recursos mostrou oscilações na cota de participação de certas entidades.
A isso se soma a vulnerabilidade quanto aos mecanismos de proteção.
O Fundo de Garantia de Depósitos vigente por lei cobre apenas até 75 salários mínimos por entidade. Para uma instituição que administra colocações bancárias muito superiores a esse limite, tal esquema regulatório resulta irrisório ante a eventual quebra ou iliquidez de uma entidade financeira, expondo os fundos previdenciários a riscos sistêmicos.
Os relatórios também apontam problemas nos sistemas contábeis e informáticos, já que foram encontrados pagamentos de benefícios de aposentadoria a pessoas já falecidas. Esta falha responde à falta de um cruzamento automático de bases de dados em tempo real entre o IPS e o Registro do Estado Civil das Pessoas.
O IPS administra um amplo portfólio de bens imóveis cujo rendimento econômico é extremamente baixo. A existência de inadimplência na cobrança de aluguéis, inclusive por parte de instituições do próprio Estado reduz os fundos possíveis. O deficiente registro patrimonial e a falta de atualização contábil provocam que as propriedades não sejam devidamente controladas.
Um dos achados mais importantes se refere ao portfólio de dívidas que afetam diretamente os fundos.
A combinação do descumprimento por parte do Estado paraguaio e do setor patronal privado soma cifras milionárias que, estando dentro das reservas, significariam um grande alívio à instituição e a possibilidade de dialogar reformas com calma e não em momentos de crise severa como é o caso da Caixa Fiscal.
Ante o sombrio panorama fiscal e administrativo exposto, surgem recomendações tanto do órgão de controle como do próprio senso comum, pelo que é inexplicável que as autoridades do IPS não tenham tomado providências para começar, ao menos, a propor soluções.
Os achados recentes confirmam que a ameaça às reservas não provém unicamente da transição demográfica, mas também da negligência institucional, da falta de controle nos ingressos e gastos e da ausência de mecanismos de proteção para o capital investido.
É inaceitável que a negligência que conduziu a esta profunda crise que enfrenta esta instituição coloque em risco o esforço que trabalhadores e empresários realizaram durante décadas para garantir ingressos na aposentadoria e uma velhice digna.
Implementar medidas de mudanças não é apenas uma exigência técnica, mas um imperativo ético e social indispensável para assegurar a sobrevivência do seguro social e salvaguardar os direitos dos cotizantes de hoje e de amanhã.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.