IPS garante três meses de insulinas para diabéticos e reduz compras por falta de recursos
Conselho de Administração reconhece situação financeira delicada e aprova ajustes em licitações de medicamentos
O Conselho de Administração do Instituto de Previsão Social (IPS) voltou a colocar sobre a mesa a delicada situação financeira da previdenciária durante sua sessão ordinária, na qual seus integrantes reconheceram que os recursos disponíveis mal cobrem três meses de medicamentos biológicos de alto custo. Ao mesmo tempo, aprovaram ajustes em licitações de insumos, deixaram pendente a análise do seguro social para artistas e modificaram o critério para uma contratação de serviços de hemodiálise.
Um dos pontos centrais foi a avaliação de ofertas da Licitação Pública Nacional (LPN) nº 10/26 para a aquisição de medicamentos biológicos com estoque crítico, por um montante de G. 156.847 milhões.
A gerente de Abastecimento, Cecilia Rodríguez, explicou que o montante corresponde à disponibilidade financeira aprovada para um período de três meses. Detalhou que a compra inclui medicamentos como somatropina, leuprolida e distintos tipos de insulina.
Porém, o presidente do IPS, Dr. Isaías Fretes, advertiu que a cobertura é apenas temporária.
"Temos para três meses, mas se não mudarmos nossa situação econômica não temos mais", afirmou durante a sessão.
Diante da limitação orçamentária, a conselheira Bettina Albertini propôs reduzir as quantidades máximas a adjudicar para se adequarem ao montante disponível sem reprogramar a licitação. O que, segundo critérios técnicos, resultou em uma aprovação com a redução de quantidades máximas para dois tipos de insulinas: de um lado, insulina glargina (de ação prolongada) e, do outro, degludec (insulina ultralenta). Isso, segundo explicaram, não afetará os segurados porque se conta com o fornecimento.
O gerente de Saúde, Derlis León, alertou sobre o impacto que teria um eventual desabastecimento.
"Temos mais de 66 mil pacientes diabéticos cadastrados, embora exista subregistro, e cerca de 12 mil pacientes necessitam deste tipo de insulinas", indicou. Acrescentou que ficar sem estoque implica que os pacientes se descompensem e terminem necessitando internações de maior custo para a previdenciária.
Finalmente, o Conselho aprovou reduzir as quantidades adjudicadas de ambos os medicamentos para manter a compra dentro do orçamento autorizado.
Outro dos temas debatidos foi a LPN nº 115/25 para a aquisição de insumos descartáveis, consumíveis e reutilizáveis. Durante a análise, os conselheiros detectaram inconsistências no relatório de avaliação. O conselheiro José Emilio Argaña questionou que um dos itens apresentava um preço 206% superior ao referencial, enquanto outro superava o limite permitido de 30%.
A gerente Cecilia Rodríguez explicou que o relatório deveria ser retificado porque inicialmente figuravam seis itens desertos quando na realidade eram oito. O doutor Rodrigo Quevedo, coordenador da Direção de Apoio e Serviços do Hospital Central, explicou que a comissão avaliadora decidiu não recomendar a adjudicação de alguns produtos, devido aos elevados preços ofertados, e propôs revisar as especificações técnicas para lograr maior competência em futuras licitações.
Dos 31 itens contemplados inicialmente, 23 foram adjudicados, enquanto o Conselho aprovou parcialmente o processo e deixou pendente um item cuja oferta superou o limite de 30% sobre o preço referencial.
O Conselho também autorizou o chamado à LPN nº 25/26 para contratar serviços de hemodiálise em Alto Paraná. A discussão se centrou na metodologia para estabelecer o preço referencial. Enquanto a recomendação do serviço que solicita a contratação defendia a utilização da média das cotações, os conselheiros levantaram que deveria se tomar o preço mais baixo para evitar maiores custos.
Durante o debate, Fretes voltou a insistir na necessidade de que o IPS conte com serviços próprios de diálise.
"Sempre sustento que é mais barato cenar..."
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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