IPS deve informar sobre empresa acusada de limpeza deficiente de centros cirúrgicos
DNCP exige documentação sobre contrato de G. 75.847 milhões ao Consórcio Hospiclean
Hoje vence o prazo do Instituto de Previsão Social (IPS) para entregar dados sobre uma adjudicação de limpeza por G. 75.847 milhões. A Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP) emplazou o IPS para remeter toda a documentação relacionada com o contrato ao Consórcio Hospiclean.
O requerimento foi dirigido ao IPS, presidido por Isaías Fretes, após uma denúncia apresentada sob proteção que alertou sobre possíveis incumprimentos na execução do serviço terceirizado de limpeza.
O contrato investigado foi adjudicado ao Consórcio Hospiclean, conformado pelas empresas Mimbi SA e Consermar. A representação legal está a cargo de Mariela Carolina Molas e José Manuel González. Além disso, em outros lotes da licitação, que em geral é de G.124.080.863.616, a empresa Mimbi também foi beneficiada com G. 4.504.658.850.
A adjudicação se dividiu também com o Consórcio C2 e o Consórcio CyC. Como integrantes destas alianças comerciais figuram Cevima SA, empresa com vários antecedentes com o IPS, e Clearing Sociedade Anônima e Clean & Clean Paraguay Sociedade Anônima.
A apresentação perante a DNCP também menciona supostas irregularidades trabalhistas. Conforme a apresentação, a empresa teria declarado perante a Direção de Aporte Operário Patronal salários equivalentes ou superiores ao mínimo legal, enquanto os trabalhadores receberiam montantes inferiores.
Se confirmado, a prática poderia constituir uma simulação do cumprimento das condições trabalhistas exigidas para contratar com o Estado.
Contudo, as acusações mais graves estão relacionadas com a segurança sanitária dentro de hospitais e centros assistenciais do IPS.
INSUMOS DILUÍDOS. O escrito remetido a Contratações Públicas sustenta que alguns insumos de limpeza seriam fracionados e reutilizados em embalagens não originais, com rótulos presumivelmente modificados. Além disso, estes insumos careceriam dos registros exigidos pela Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa) e não teriam a concentração necessária para garantir uma correta desinfecção.
De acordo com a denúncia, estes insumos seriam empregados em setores de alta complexidade, entre eles centros cirúrgicos e áreas de cuidados intensivos para adultos e crianças.
O denunciante adverte que uma limpeza deficiente poderia terminar gerando maiores custos para a previdenciária, já que o IPS teria que enfrentar posteriormente tratamentos e atendimentos médicos derivados de possíveis infecções associadas à atenção hospitalar.
A investigação analisa antecedentes vinculados aos representantes do consórcio adjudicado. Com o vencimento do prazo nesta segunda-feira, a DNCP deverá verificar se o IPS remeteu toda a documentação solicitada.
O CONTRATO. O contrato de limpeza adjudicado pelo IPS ao Consórcio Hospiclean por G. 75.847 milhões contempla a cobertura por 18 meses. O maior componente corresponde ao Hospital Central, com 297 trabalhadores para tarefas de limpeza, por um montante de G. 51.046 milhões. Também inclui a Unidade de Terapia Intensiva para adultos e pacientes pediátricos, com 29 funcionários e um investimento de G. 4.983 milhões.
O Serviço de Emergências e Centro de Diagnóstico conta com 40 trabalhadores por G. 6.874 milhões. O contrato além disso abrange o Centro de Atendimento Ambulatorial, o Centro de Especialidades da Saúde Integral (CESI), a Unidade de Medicina Transfusional, o Serviço de Centro Cirúrgico, o Centro Produtor de Sangue e Terapia Celular, o Serviço de Nefrologia e Hisolab IPS.
No total, conforme a lista de itens adjudicados, destinam-se 445 trabalhadores para a limpeza de setores-chave do principal hospital da previdenciária.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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