IPS amplia contrato com empresa auditada por trabalho fantasma
Consórcio OMEC receberá G. 125 milhões adicionais apesar de auditoria apontar serviços não executados
O Instituto de Previsión Social (IPS) aprovou a elaboração e subscrição de uma adenda ao Contrato Nº 067/2025 com o Consórcio OMEC para estender a manutenção preventiva e corretiva das instalações elétricas do Hospital Central. A ampliação contempla G. 125 milhões adicionais e a prorrogação da vigência contratual até 31 de dezembro de 2026.
A OMEC foi auditada por outro contrato de manutenção de caldeiras, havia recebido pagamentos pela manutenção de uma caldeira descomposta, mas não se demonstrou que tenham realizado o trabalho.
O contrato, derivado da Licitação Pública Nacional Nº 100/2024, ID Nº 447909, tem como objeto a manutenção preventiva e corretiva, com provisão de peças de reposição sob demanda, de geradores, transformadores, postos de distribuição e sistemas de emergência do Hospital Central. O montante original adjudicado para o Lote 1 totaliza G. 1.250 milhões. Com a adenda de G. 125 milhões, equivalente a 10% do montante inicial.
De acordo com a justificativa técnica da ampliação, o incidente térmico registrado no posto de distribuição elétrica ocasionou uma degradação irreversível dos condutores e provocou a interrupção do fornecimento de energia. A situação colocou em risco a continuidade operativa de equipamentos médicos e serviços essenciais do hospital, entre eles Emergências Pediátricas, a Unidade de Emergências Médicas de Adultos (UEMA), Hemato-Oncologia, Cirurgia Endovascular, Radiologia, Hospital Dia e o Centro de Diagnóstico por Imagens.
Trabalhos questionados. Segundo o Relatório Final de Auditoria Interna Nº 30/2026, sobre o contrato de manutenção de caldeiras do Hospital Central, o IPS pagou G. 65.314.000 por serviços certificados em 23 de janeiro de 2026, mediante a Ata de Conformidade Nº 100418/2026.
O desembolso foi realizado em 19 de março, apesar de parte dos trabalhos preventivos incluídos corresponder a uma caldeira que se encontrava fora de serviço e submetida a manutenção corretiva.
Dentro dessa certificação constavam G. 51.760.000 por duas unidades de manutenção preventiva de caldeiras elétricas, a razão de G. 25.880.000 cada uma. No entanto, a auditoria apontou que não encontrou documentação que comprovasse a execução efetiva das tarefas questionadas na Caldeira Nº 2.
Outro achado envolveu G. 9.367.000 certificados pela provisão e instalação de um controlador de caldeira e um terminal de operação. Durante inspeções realizadas em 4 e 6 de agosto de 2026, os auditores encontraram ambos os componentes guardados em uma gaveta, sem instalar, o que colocou em dúvida a conformidade concedida por esses trabalhos.
O relatório também detectou diferenças na certificação da manutenção do sistema de ar comprimido: registravam-se duas unidades mensais por G. 14.484.000, quando o edital estabelecia uma única por G. 7.242.000.
A diferença observada é de G. 7.242.000 por cada mês em que tenha sido aplicado esse esquema, embora o montante acumulado deva ser verificado.
Ao encerramento da auditoria, o IPS havia emitido sete certificações por um total de G. 1.660.330.000, correspondentes ao período compreendido entre dezembro de 2025 e maio de 2026. Os pagamentos registrados no sistema SAP FI totalizavam G. 138.313.000.
A Direção de Manutenção apresentou respostas vinculadas com diferenças temporais, continuidade operativa e coexistência de trabalhos preventivos e corretivos. Não obstante, a Auditoria Interna desestimou as explicações relativas a tarefas cuja execução não pôde ser verificada fisicamente e ratificou os achados no relatório final, aprovado em 7 de setembro de 2026.
Diante das observações, a auditoria recomendou remeter os antecedentes à Direção Jurídica do IPS para avaliar as eventuais responsabilidades e determinar as medidas contratuais ou legais que correspondam.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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