Instam ao IPS revisar seu regulamento de investimentos e priorizar a solvência dos bancos
O ex-presidente do Instituto de Previsão Social (IPS) e ex-ministro da Fazenda Benigno López considerou que a previdenciária deveria revisar seu regulamento de investimentos para voltar a utilizar o patrimônio efetivo das entidades financeiras como principal indicador para medir o risco ao alocar os recursos aposentadorios.
As declarações de López, em comunicação com a Monumental 1080 AM, ocorrem em meio ao debate sobre a interpretação da Lei N° 7235 pela Superintendência de Pensões e Aposentadorias e a necessidade do IPS de adequar sua carteira de investimentos.
López sustentou que o problema não reside na lei, mas em uma modificação introduzida no regulamento que rege os processos de licitação para a alocação de recursos. "Não foi modificado o estatuto, mas sim a resolução que regula o processo de licitações do IPS", explicou.
Segundo indicou, a normativa histórica do IPS seguia a ordem estabelecida pela própria lei: privilegiar a segurança, depois a liquidez e finalmente a rentabilidade. Contudo, afirmou que posteriormente foi alterado o critério técnico utilizado para avaliar o risco das entidades financeiras. "Foi alterado o patrimônio efetivo e colocado outro indicador. Esse indicador é o que permite que se façam investimentos mais arriscados", apontou.
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López afirmou que o principal elemento para avaliar um investimento é a solvência da entidade financeira emissora e não o tipo de instrumento utilizado. "O indicador-chave é o emissor. O emissor do título de dívida, seja certificado de depósito, título ou conta à vista, é um só: o banco", indicou.
Nesse sentido, respaldou a interpretação da Superintendência de Pensões de que o risco deve ser analisado considerando a exposição total a uma mesma entidade financeira. Explicou que o patrimônio efetivo reflete a capacidade que um banco tem para responder a todas as suas obrigações e, portanto, constitui o parâmetro mais importante para determinar quanto pode ser investido em uma entidade.
O ex-titular do IPS questionou que tenham sido flexibilizados os critérios para os investimentos previdenciários e pediu o retorno a parâmetros mais prudentes. "Para quê assumir tanto risco em um mercado que não está preparado para isso?", expressou. Acrescentou que não encontra justificativa para considerar que um mesmo banco represente riscos distintos dependendo de se o investimento corresponde a certificados de depósito, títulos ou depósitos à vista.
"O risco é um só: o patrimônio do qual estão as obrigações que se está assumindo com ele", afirmou. López sustentou que, com a revisão que atualmente realiza o IPS de seu regulamento de investimentos, existe uma oportunidade para restabelecer o patrimônio efetivo como principal critério para medir a solvência das entidades financeiras e reduzir os riscos de concentração dos recursos aposentadorios.
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Perguntado se a modificação do regulamento pôde ter respondido a interesses políticos, apontou que essa interpretação "pode ser muito ajustada à realidade". "Acredito que tudo indica que algo disso aconteceu em algum momento, que houve algum tipo de interferência para modificar esse critério que tinha quase 15 anos", destacou.
"Para quê assumir tanto risco em um mercado que não está preparado para isso? Por que modificar a resolução? (...) Não vejo a razão. Também não vejo a razão da discussão que houve...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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