Hospital de Mariano: "Após quatro meses consegui meu remédio"
Que faltem insumos e medicamentos em hospitais públicos e IPS não é novidade. Mas até o ponto em que os remédios e insumos mais essenciais estejam ausentes, isso sim costuma ser motivo de surpresa para a maioria dos usuários destes serviços.
"Sou mãe e meu bebê precisa fazer uma ecografia de tórax para ver seu coração. Me disseram que os responsáveis estão de férias e de fato que a máquina não funciona. Por isso me enviam para Trinidad, Assunção. Sou de Villa Hayes e é já de por si um sacrifício vir até aqui de ônibus com meu bebê recém-nascido nos braços com este frio e sair de mãos vazias", indicou a senhora Giuliana Sotelo.
A falta de fármacos é a crítica repetida dos pacientes que chegam ao Hospital de Mariano Roque Alonso.
"Venho a este hospital porque sou de Roque, fica perto de mim, mas o problema é a falta de medicamentos. Sofri uma queda e na minha idade (68) e com artrose, isso é complicado. Sou diabética e venho pelos meus remédios que estão em falta há quatro meses, mas agora por fim consegui", indicou a senhora Idalina González.
Por sua parte, o diretor do nosocômio, o neurologista doutor Carlos Cañete, asseverou que estar à frente do hospital não é tarefa fácil, já que são muitos os problemas a solucionar.
"Às vezes até usamos recursos próprios para repor sem demoras os insumos de primeira necessidade. Somos o único Hospital Público de Mariano Roque Alonso e o município, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, que conta com uma população de 15.000 habitantes embora haja outra cifra extraoficial de 180.000", explicou.
Em outro aspecto se referiu ao volume de pacientes que são atendidos em um espaço pequeno, tendo em conta que o imóvel possui apenas meia hectare.
"Atendemos como 500 pacientes diariamente entre urgências e especialidades, por isso minimamente estamos falando de 15.000 pacientes mensais. Isto é o equivalente ao volume que atendem no Hospital de Fernando de la Mora que é um gigante em comparação com a gente", expressou Cañete.
O hospital tão somente conta com uma ambulância que é utilizada quase exclusivamente pelo nosocômio, já que se sofrer danos ao ser emprestada significaria uma perda grande para as funções do hospital, segundo explicou o diretor.
"Nós temos um diferencial distinto aqui, que são os indígenas. É uma realidade que existe até hoje e vai continuar. A vantagem que tem agora, que antes não tinha, é que conta com uma Unidade de Saúde Familiar (USF) em sua própria colônia", explicou o diretor.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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