Historiadores pedem respeitar critério histórico e rejeitam versão stronista de símbolos pátrios
O doutor em História, professor e pesquisador Herib Caballero Campos foi consultado pela rádio Monumental 1080 AM sobre o projeto que busca regulamentar o desenho e uso da bandeira da República, dos escudos nacionais e do selo nacional, uma iniciativa do Honor Colorado que é muito questionada pelos opositores, já que — segundo mencionam — pretende-se o tom vermelho nas orlas do anverso e reverso da bandeira pátria, buscando voltar à versão utilizada durante o stronismo, cuja ditadura durou 35 anos.
Nesse contexto, Caballero Campos sustentou que se trata de "uma discussão que já começou há uns 10 anos e que paulatinamente vai voltando". Comentou que vários historiadores foram convocados sobre o tema há um ou dois anos na Câmara de Deputados, momento em que já se havia discutido o assunto.
Herib Caballero recordou que naquele momento estiveram presentes representantes do Comitê Paraguaio de Ciências Históricas, do Centro de História Social, da Academia da História, e ele foi em representação da Sociedade Científica. "Todos estávamos de acordo em que deve respeitar-se o critério histórico", assegurou.
O historiador apontou que o planteamento realizado durante o stronismo foi com base em uma divisão de heráldica (ciência que estuda, descreve e desenha os escudos de armas) do Ministério da Defesa Nacional, que se encarregava de elaborar todos os escudos das distintas repartições militares e que é o organismo do Estado que sugere os escudos a diferentes repartições públicas.
O também pesquisador mencionou que "de acordo com a heráldica, existem uma série de normas com respeito a como deve constituir-se um escudo" e que a justificativa cartista vem por esse lado. Exemplificou dizendo que "o argumento é que metal com metal, ou seja, não pode ir preto sobre branco. Então, deve ir sobre azul, que é o azul ou campo de gules, que na heráldica é o vermelho".
O argumento cartista, baseado na parte mais técnica da heráldica, sustenta que os atuais escudos estão errados.
Porém, Caballero Campos esclarece que originalmente foram planteados assim pelo Congresso de 1842 e que a Constituição Nacional, quando fala dos símbolos pátrios, diz que a lei respeitará a lei de criação de símbolos de 1842.
O professor em História levanta uma disyuntiva sobre o que deve prevalecer para determinar a simbologia entre o princípio heráldico ou o histórico e a tradição.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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