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Internacional

"Há edifícios onde não se removeu nem uma única pedra": cresce a frustração na Venezuela enquanto desvanece a esperança de encontrar mais sobreviventes

Familiares aguardam por resgate de desaparecidos após terremotos que deixaram mais de 1.400 mortos

28/06/2026 10:45 3 min lectura 13 visualizações
"Hay edificios donde no se ha removido ni una sola piedra": crece la frustración en Venezuela mientras se desvanece la esperanza de hallar más sobrevivientes

Mães, pais, filhos, primos, tios, netos, vizinhos.

São eles os que aguardam por ajuda nas proximidades de edifícios desabados nas zonas mais afetadas pelos dois potentes terremotos que assolaram a Venezuela na quarta-feira e que já deixaram mais de 1.400 mortos e 3.200 feridos.

Esperam por resgatistas especializados e maquinaria pesada que ajudem a remover os perigosos escombros sob os quais desejam encontrar seus entes queridos.

Muitos se atrevem a abrir caminho entre as placas de concreto, sem nenhuma proteção, e retiram com suas próprias mãos os cadáveres que já começam a se decompor.

A cena se repete em locais como La Guaira ou Caracas, e o clamor parece ser o mesmo: pedem mais presença do Estado.

Após os terremotos, centenas de edifícios desabaram e milhares de pessoas ficaram presas sob os escombros.

Muitos venezuelanos denunciaram uma resposta insuficiente das autoridades e entre eles cresce a sensação de frustração e indignação, segundo puderam constatar os enviados especiais da BBC.

"Todos estamos bastante frustrados porque o governo não mostra o que deveria: uma ajuda séria", disse a caracasense Zaira Castro ao correspondente da BBC Will Grant.

A presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, afirmou que se estão fazendo esforços "sem descanso" e garantiu: "O processo de resgate das pessoas que estão com vida é nossa prioridade".

Em La Guaira, o caso de Carlos Eduardo (31), cujos familiares sabem onde está e o escutaram sob os escombros, mas não têm como resgatá-lo, dá conta do desespero que enfrentam milhares.

"E bem, ali estamos, esperando a ajuda, esperando para ver se conseguimos tirá-lo com vida", disse seu primo à BBC Mundo.

Na localidade litorânea de Caraballeada, Mileidy Romero, que participava de operações de resgate, disse à agência de notícias AP: "Há uma quantidade de cadáveres ali desde ontem à noite. Bebês recém-nascidos".

"Às 8 da noite [do sábado] havia pessoas com vida ali embaixo, e não se incomodaram em resgatá-las. Localizamos vários corpos, e também não nos ajudaram a recuperá-los. No que estão esperando?", acrescentou.

Um bombeiro que trabalha na zona, e que pediu não ser identificado, disse ao enviado especial de BBC Mundo em La Guaira, Norberto Paredes: "Há edifícios onde não se removeu nem uma única pedra".

"Não há mãos suficientes", acrescentou. "E é muito, muito provável que ainda haja pessoas presas".

Numerosos venezuelanos expressaram seu descontentamento vaiando a presidenta Rodríguez enquanto visitava zonas afetadas.

"Estão fazendo campanha no meio de uma tragédia! O governo não faz nada pela gente", gritou uma mulher em Chacao.

Embora a magnitude dessa tragédia representasse um desafio para qualquer país, muitos residentes reclamaram do que consideram uma reação vacilante e lenta do governo venezuelano.

O presidente da Assembleia Nacional e irmão da mandatária, Jorge Rodríguez, garantiu no sábado que foram desdobradas 21 delegações internacionais para apoiar as operações de resgate, somando um total de 2.242 resgatistas e 96 unidades caninas.

Também disse que mais de 30.000 pessoas — incluindo militares e policiais, resgatistas, pessoal médico e paramédico, pessoal de apoio, psicólogos e outros especialistas — estão prestando assistência.

Enquanto isso, o número de falecidos e feridos aumenta a cada hora.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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