Governo da Bolívia reconhece que há um morto em enfrentamentos do fim de semana
O porta-voz presidencial José Luis Gálvez ofereceu um pedido de desculpas por uma primeira versão que deu no sábado à noite, na qual afirmou que não havia mortos ante, segundo disse, "notícias falsas" que circulavam após o fracasso da operação do "corredor humanitário" para a passagem de alimentos, combustível e medicamentos em direção às cidades de La Paz e El Alto, as mais afetadas pelos bloqueios.
"Lamentavelmente, no decorrer das horas, já na madrugada (do domingo), tivemos conhecimento do falecimento de um cidadão e expressamos por meio de distintos meios nosso pesar porque nenhum boliviano deveria perder a vida sob nenhuma circunstância similar", disse Gálvez aos meios de comunicação.
Os militares e policiais buscavam no sábado desbloquear a rodovia troncal entre as cidades de La Paz e Oruro, distantes em 227 quilômetros, para facilitar a chegada de alimentos, combustível e insumos médicos à sede do Governo e a El Alto, afetadas pelo desabastecimento dos produtos.
Porém, a operação foi suspensa após os enfrentamentos em vários trechos da rota, que resultaram na queima de órgãos estatais e destruição de veículos que acompanhavam o comboio.
No domingo, meios locais publicaram um relatório forense que certificou a morte de um civil, Víctor Cruz Quispe, por um "projétil de arma de fogo", após um exame realizado no Hospital de Clínicas de La Paz, para onde o corpo foi transferido no sábado à noite do altiplano.
O ocorrido aconteceu perto da localidade de Vilaque, onde se enfrentaram agentes policiais e militares com os manifestantes.
A Igreja católica, a Defensoria do Povo e a Assembleia Permanente de Direitos Humanos de El Alto pediram "o esclarecimento urgente, independente e transparente dos fatos ocorridos" no sábado, "em particular aqueles vinculados a pessoas feridas, um falecido e denúncias de violações aos direitos humanos".
Gálvez sustentou que "nenhum dos efetivos" militares e policiais que intervieram na operação "portava uma arma de nenhum calibre" e que levaram gases lacrimogênios para usá-los "de maneira dissuasiva".
Assegurou que a partir do Executivo se buscará que haja uma "investigação correta" do ocorrido "e quem tenha matado tem que pagar", pois "a lei não está para ser quebrada e ninguém está acima da lei".
Com os protestos e bloqueios iniciados há 20 dias, os setores camponeses da zona andina, a Central Obreira Boliviana (COB) e os seguidores do ex-presidente Evo Morales (2006-2019) exigem a renuncia do presidente Paz, que assumiu o Governo há seis meses.
Os cortes de rotas, que se estenderam nos últimos dias a outras regiões, também ocasionaram a morte de quatro pessoas, incluindo uma criança de 12 anos, que não puderam receber atendimento médico oportuno.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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