Gastei US$ 6.000 em uma viagem para ver a Copa e fui deixado na porta do estádio
Aficionados relatam cancelamentos de última hora em plataformas de revenda de ingressos durante a Copa do Mundo 2026
Quando Sergio Enrique Alvarado Montalvo pagou US$ 1.700 na StubHub para surpreender seu pai com ingressos para a Copa do Mundo, imaginava um Dia dos Pais inesquecível vendo jogar Lionel Messi.
No entanto, após fazer seus pais viajarem do México até Dallas para o jogo entre Argentina e Áustria do dia 22 de junho passado, gastando quase US$ 6.000 em voos e hotéis, a família ficou às portas do estádio.
Apenas um dia antes de viajarem para Dallas, StubHub notificou de forma abrupta Montalvo que o vendedor não conseguia entregar os ingressos e recusou-se a oferecer alternativas comparáveis depois que os preços dispararam.
Mesmo assim, foram ao estádio com a esperança de conseguir seus bilhetes. Montalvo esteve falando por telefone com StubHub até uma hora antes do início da partida.
"Me senti muito triste, frustrado e cheio de raiva e ira", declarou à BBC este homem de 45 anos.
"Foi uma mistura de sentimentos difícil de explicar", acrescentou.
O pesadelo de Montalvo faz parte do que especialistas do setor qualificam como um dos maiores fiascos na venda de ingressos da história.
Enquanto a Copa do Mundo 2026 ocorre em 16 cidades dos Estados Unidos, Canadá e México, muitos aficionados estão vendo seus planos sonhados serem arruinados por cancelamentos de última hora nos mercados de revenda.
Isso é atribuído principalmente a uma prática do setor conhecida como "venda especulativa de ingressos", na qual vendedores não verificados colocam à venda ingressos que ainda não possuem na esperança de consegui-los mais baratos antes do evento.
Quando os preços dos ingressos disparam, esses vendedores simplesmente se retiram da transação para revendê-los e obter maiores ganhos, deixando compradores como Montalvo com as mãos vazias e com um reembolso que não cobre seus custosos gastos de viagem.
Eben Pingree, 44 anos e residente em Boston, viveu uma situação idêntica depois que sua esposa, Caitlin, pagou US$ 2.800 na StubHub por ingressos para o jogo entre Escócia e Haiti para surpreender seu filho Cole, de 11 anos.
Haviam organizado uma viagem junto a outro pai e seu filho, mas os ingressos desapareceram no mesmo dia da partida.
"Basicamente tiveram que nos deixar lá, e meu filho ficou destroçado", declarou Pingree à BBC.
Voltando a Dallas, Montalvo e sua família passaram a noite do jogo em uma festa para aficionados em vez de assisti-lo das arquibancadas.
"Foi um fim de semana muito triste... por dentro e por fora... embora tenhamos aproveitado o tempo juntos", acrescentou Montalvo.
Outros dois aficionados apresentaram na terça-feira uma ação judicial contra a StubHub com a intenção de que seja processada como ação coletiva, acusando a plataforma de revenda de não entregar os ingressos que haviam pagado.
A ação foi apresentada por Julie Reeker Moghal e Reuben Renteria, que afirmaram no documento judicial que agiam em nome próprio e em nome de todas as outras pessoas que se encontrassem em situação similar.
Ambos afirmaram ter pago à StubHub pelo menos US$ 1.900 cada um por ingressos para a Copa do Mundo que nunca receberam.
"Foram enganados os aficionados, que compraram ingressos para a Copa do Mundo por grandes somas de dinheiro apenas para sofrer enormes perdas econômicas", assinalava a ação.
Isso marcou um "novo mínimo" para um setor repleto de "problemas relacionados com a proteção do consumidor".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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