Garicoche alertou para possível rebote do dólar: "Paraguai é um dos poucos países que seguem em baixa"
Enquanto várias moedas da região começaram a mostrar sinais de correção frente ao dólar, o Paraguai continua transitando uma tendência distinta. Para o economista Jorge Garicoche, integrante de Mentu, esse desacoplamento poderia começar a se corrigir e abrir caminho para um "efeito rebote" do tipo de câmbio local.
"O Paraguai está ficando como um dos poucos países com uma tendência de queda", afirmou Garicoche em entrevista com Valor Agregado na Rádio Asunción 1250 AM. Segundo explicou, mercados como Uruguai, Chile, Brasil e até mesmo Colômbia já mostram movimentos de recuperação do dólar, enquanto que no Paraguai a cotação continuou perdendo terreno.
O economista apontou que essa situação chama atenção porque o comportamento regional começou a mudar após vários meses de apreciação das moedas frente ao dólar. Nesse contexto, o Paraguai aparece atrasado frente a uma recuperação que, segundo sua análise, já começou a ocorrer em outros países.
"Desde julho vemos esse efeito rebote em outros países. Contudo, no Paraguai, mais que rebote, a tendência continuou indo para baixo", indicou. Ainda assim, sustentou que existem fundamentos que poderiam começar a gerar uma maior demanda de dólares no mercado local.
Um desses fatores é o preço do petróleo. Garicoche explicou que o Paraguai continuará precisando importar combustíveis em volumes importantes e que um maior custo internacional implica também uma maior necessidade de dólares. "Se vamos continuar consumindo os níveis que consumimos de combustível, vamos precisar de mais dólares", destacou.
Também mencionou o cenário financeiro internacional e a atratividade dos ativos denominados em dólares. A isso somou outro elemento: os futuros repagamentos de bônus em guarani adquiridos por investidores estrangeiros, que eventualmente poderiam voltar a demandar dólares para retirar seus capitais do país.
"Todos esses elementos nos dizem que deveria existir um efeito rebote", afirmou Garicoche. Embora tenha reconhecido que as estimativas realizadas desde meses atrás não se cumpriram nos prazos esperados, manteve sua expectativa de uma correção e projetou que o dólar poderia voltar a se situar acima de G. 6.000, em uma faixa aproximada de G. 6.050 a G. 6.100.
Dentro desse cenário, o economista também colocou o foco na volatilidade diária do mercado e questionou o papel do Banco Central do Paraguai. Esclareceu que a autoridade monetária não deveria intervir para favorecer exportadores ou importadores nem modificar artificialmente a tendência, mas considera que pode atuar com maior firmeza diante de movimentos bruscos de curto prazo.
Segundo explicou, parte dessa volatilidade é gerada quando bancos que precisam de liquidez em guarani recorrem à venda de dólares ante a falta de um mercado interbancário suficientemente dinâmico. "Estamos falando de USD 15 milhões, USD 20 milhões ou até mesmo muito mais, que acabam..."
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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