Fuga de fármacos no IPS: Receitas existem, mas entregas não foram anotadas
Auditoria Interna encontra inconsistências graves em registros que impossibilitam rastreamento de medicamentos
Em registros de pacientes dentro do sistema do Instituto de Previsión Social (IPS) foram constatadas graves inconsistências que tornam impossível dar seguimento às existências de medicamentos dentro do serviço.
Uma Auditoria Interna que segue o rastro de ampolas do antibiótico Imipenem Cilastatina detalha que um internado durante 23 dias na Unidade de Transplante Renal do Hospital Central do Instituto de Previsión Social (IPS) teve registradas 90 ampolas do antibiótico dispensadas sob seu nome. Porém, a Auditoria Interna não pôde confirmar que tenha recebido uma única dose, devido a que o expediente clínico carece completamente de registros de enfermagem sobre a administração do medicamento.
A investigação verificou que o paciente permaneceu internado entre o 11 de outubro e o 3 de novembro de 2024. No dia 15 de outubro, o médico tratante deixou asentada a evolução clínica e indicou o tratamento com Imipenem Cilastatina. Não obstante, ao revisar o Sistema de Informação Hospitalar (SIH), os auditores encontraram unicamente as anotações médicas. O módulo de enfermagem, onde deve ser registrada a aplicação efetiva dos medicamentos, não contém nenhuma comprovação sobre o fornecimento do antibiótico.
A auditoria também documentou um segundo caso com as mesmas falhas de controle. Trata-se de um paciente internado no Posto 6-2 do Hospital Central entre o 30 de outubro e o 15 de novembro de 2024, permanecendo aproximadamente 17 dias hospitalizado. Durante esse período, o Sistema de Informação Hospitalar (SIH) registra a dispensação de 51 ampolas de Imipenem Cilastatina com a correspondente prescrição médica.
Ao revisar o expediente clínico, os auditores verificaram que o médico tratante deixou asentadas as evoluções e o esquema terapêutico. Porém, o módulo de enfermagem encontra-se completamente vazio no que diz respeito à administração do antibiótico.
Desde o Diario Última Hora buscaram-se respostas sobre a implementação de sistemas que evitem essas filtrações e falhas no controle interno. Em comunicação com o Dr. Derlis León, gerente de Redes de Saúde, este redirecionou as consultas a seu assessor de imprensa, que designou o chefe de Auditoria Interna, Walter Laguardia, quem também não pôde precisar se houve determinações após esses achados já citados em março deste ano.
Duplo sistema. No sistema de controle interno dentro do IPS convivem o SIH e SAP; dentro de ambos também foram encontradas diferenças, já que segundo a auditoria encontram-se registros de saídas das ampolas do potente antibiótico enquanto que não existe registro de fornecimento. No sistema SAP e SIH, a saída do medicamento parece estar justificada porque existe uma receita ou prescrição médica.
A fuga ocorreria ao não haver um registro de enfermagem que certifique que a ampola foi injetada no paciente, o medicamento fica então em um vazio administrativo.
O documento então refere que essa opacidade impede certificar o uso efetivo dos recursos públicos e cria o cenário ideal para que o fármaco seja desviado para sua venda ilegal ou mercado negro, tal como se suspeita após o allanamento do Ministério Público.
Achados. Auditoria Interna do IPS revelou que 275 ampolas de Imipenem Cilastatina foram entregues sem registros que permitam identificar os pacientes que as receberam, gerando um prejuízo patrimonial estimado em G. 55 milhões.
A auditoria foi ordenada após o Ministério Público encontrar, durante um allanamento realizado em dezembro de 2025 no estacionamento do Hospital Central, medicamentos do IPS que presumivelmente seriam comercializados de maneira ilegal. Entre os produtos apreendidos encontrou-se uma ampola de Imipenem Cilastatina com a inscrição "uso exclusivo IPS", fato que motivou a Presidência da previdenciária a solicitar uma verificação completa do sistema.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.