"Ficou paralisado": como a polícia conseguiu capturar no Paraguai um assassino que mudou de identidade e estava há mais de 30 anos foragido da justiça
Durante mais de 20 anos, Marcos Campinha Panissa viveu no Paraguai com uma identidade falsa. Casou-se, formou uma família e abriu negócios.
Para vizinhos e amigos, era simplesmente José Carlos Vieira, um empresário que levava uma vida discreta.
Ninguém suspeitava que, décadas atrás, havia sido condenado no Brasil por um crime brutal.
A vida construída sobre documentos falsos começou a desmoronar na manhã de quarta-feira (15 de abril), quando agentes da Secretaría Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai abordaram Marcos ao sair de um estabelecimento em San Lorenzo, a uns 15 quilômetros da capital, Asunción.
"Marcos!", gritou a polícia. A reação do brasileiro foi imediata.
"Olhou para os agentes com uma expressão de espanto. Era como se não tivesse ouvido seu próprio nome há muitos anos e se surpreendesse ao ouvi-lo novamente. Ficou paralisado", declarou à BBC News Brasil o ministro responsável pela Senad, Jalil Rachid.
Marcos esteve foragido da justiça brasileira durante mais de 30 anos. Foi condenado pelo assassinato de sua ex-esposa, Fernanda Estruzani, a quem apunhalou 72 vezes. O crime ocorreu em agosto de 1989, no apartamento de Fernanda em Londrina, Paraná.
Naquela época, o caso foi tratado como homicídio, já que o delito de feminicídio ainda não existia na legislação brasileira.
Marcos inclusive foi submetido a dois julgamentos com júri enquanto estava em liberdade. Mas antes que se realizasse o terceiro julgamento, em 1995, desapareceu.
Desde então, seu nome consta na notificação vermelha da Interpol, uma lista de criminosos procurados internacionalmente.
"Esta era uma das notificações vermelhas ativas mais antigas da Polícia Federal à Interpol", declarou o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rivaldo Venâncio.
Em 2008, com a mudança na legislação que permitiu julgamentos sem a presença do acusado, Marcos foi condenado à revelia a 19 anos de prisão.
Mas nunca cumpriu sua condenação, que o teria mantido encarcerado até 2028, porque não o haviam localizado... até 15 de abril.
Fernanda Estruzani tinha 21 anos quando foi assassinada em 6 de agosto de 1989. Marcos tinha 23 anos.
Segundo o Ministério Público do Paraná, o casal tinha uma filha pequena e estava separado há uns dois anos, mas ele não aceitava o fim da relação.
Na manhã do crime, Marcos foi ao edifício onde vivia Fernanda, no centro de Londrina.
Após a recusa de sua ex-esposa em deixá-lo entrar, forçou a entrada e encontrou Fernanda com um namorado.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público naquela época, Marcos ficou com ciúmes de sua ex-esposa, discutiram e ele foi embora.
Por volta das 10 da noite do mesmo dia, Marcos voltou ao local e conseguiu entrar no apartamento usando uma cópia da chave.
Fernanda estava deitada, prestes a adormecer, quando foi atacada por seu ex-marido e recebeu 72 facadas.
"Estavam separados, mas ele não aceitava o fim da relação. Este tipo de delito ainda ocorre, marcado pela ideia de tratar as mulheres como propriedade, como objetos", afirma o Procurador-Geral do Ministério Público do Paraná, Francisco Zanicotti.
O corpo foi encontrado no dia seguinte, após uma denúncia anônima, segundo informaram os meios de comunicação da época. O crime causou grande comoção e provocou protestos na cidade.
Marcos sempre foi o principal suspeito da polícia. Inclusive foi emitido um mandado de prisão preventiva...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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